Em uma jornada eleitoral que mobilizou milhares de afiliados, a Lista 1 'Germán Abdala' venceu com 93% dos sufrágios. Godoy renovou seu mandato por quatro anos, em um contexto de forte ajuste e críticas da oposição sindical. A eleição ocorreu em meio à crise trabalhista e à perda de mais de 300 mil empregos.

Vitória contundente da lista oficial

Nesta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, realizaram-se as eleições nacionais da CTA Autônoma (Central dos Trabalhadores da Argentina) em todo o país. Com participação de 40% do eleitorado (que totaliza 1.353.293 afiliados), a lista oficial 'Germán Abdala' obteve 93% dos votos, consolidando a reeleição de Hugo 'Cachorro' Godoy como secretário-geral.

Na chapa vencedora, Godoy é acompanhado por Mariana Mandakovic e Pablo Spataro. No total, foram eleitos 30.962 cargos correspondentes a 277 comissões executivas nos níveis provincial, regional e local.

Durante as celebrações na sede nacional da CTA (Cidade de Buenos Aires), Godoy destacou a mobilização e a "liberdade e democracia sindical" como bandeira histórica. Ele sublinhou que a organização deve "continuar trabalhando para convocar o conjunto da classe trabalhadora a se organizar, lutar e construir novos sindicatos". Também lembrou que, 30 anos após sua fundação, a Central continua "de pé" graças à participação dos afiliados.

Oposição denuncia processo 'esvaziado'

A Lista 6 Multicolor, encabeçada por Laura Carboni (candidata a secretária-geral), denunciou nos dias anteriores que a eleição teve "características esvaziadas e antidemocráticas", apontando falta de circuitos de votação publicados, listas de eleitores não exibidas e quantidade imprecisa de cédulas. Esse espaço, que reúne setores antiburocráticos como o PTS, convocou fiscais para garantir a votação da oposição.

Em Jujuy, a Multicolor apresentou candidatos próprios, como Mariano Soria (trabalhador da Ledesma) para secretário-geral, em contraposição à lista oficial que inclui dirigentes da ATE e SOEAIL. A crítica central é que a CTA se tornou uma "colateral do PJ" e está "subsumida ao modelo sindical tradicional da CGT".

Contexto de ajuste e mobilização

A eleição acontece em meio a um forte conflito social devido às políticas de ajuste do governo de Javier Milei. Segundo fontes sindicais, mais de 300.000 postos de trabalho foram perdidos durante sua gestão. A CTA e a CGT realizaram uma marcha ao Ministério da Economia no mesmo dia das eleições para protestar contra o endividamento familiar.

Em Puerto Madryn, a lista local liderada por Gastón Medina foi a única candidatura, e Medina destacou a importância da democracia sindical. A nova direção local assumirá em outubro.

A CTA Autônoma, fundada em 1992, se define como uma central independente dos partidos políticos, embora na prática tenha tido vínculos com o peronismo. Essa eleição reafirma a continuidade da atual direção em um cenário de disputa pelo rumo do movimento sindical argentino.

O que é a CTA Autônoma?

A Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA) é uma das principais centrais sindicais do país, criada em 1992 como alternativa à CGT. Ela reúne trabalhadores de diversos setores, incluindo informais e aposentados, e tem forte atuação política e social.