Um aniversário que celebra a leitura
Neste 24 de agosto de 2026, comemora-se o 127º aniversário do nascimento de Jorge Luis Borges (1899-1986), o escritor argentino que revolucionou a literatura universal com contos, poemas e ensaios que exploram o infinito, os labirintos, os espelhos e o tempo. Em sua homenagem, desde 2012, todo 24 de agosto é celebrado na Argentina o Dia do Leitor e da Leitora, instituído pela Lei Nacional 26.754, sancionada em 27 de junho daquele ano.
Borges nasceu em 24 de agosto de 1899, às cinco da manhã, em uma casa na Rua Tucumán 840, no centro de Buenos Aires, entre Suipacha e Esmeralda. Seu pai, Jorge Guillermo Borges, e sua mãe, Leonor Acevedo Suárez, o criaram em um lar onde os livros eram protagonistas. Ele aprendeu a ler em inglês antes do espanhol, influenciado pela avó paterna, Frances Haslam, e por uma governanta britânica, Miss Tink.
“A leitura é uma das formas da felicidade. Leiam buscando uma felicidade, um gozo pessoal. Esse é o único modo de ler”.
Uma vida entre livros, cegueira e coragem
Borges escreveu seu primeiro conto aos 7 anos, La visera fatal, e aos 4 anos já sabia ler e escrever. Sua memória prodigiosa e seu amor por tigres, bibliotecas e os valentões de Palermo marcaram sua obra. Em 1914, a família viajou para a Europa em busca de tratamento para a cegueira progressiva do pai, um mal que Borges herdaria. A Primeira Guerra Mundial os reteve na Suíça, onde Borges estudou no liceu Jean Calvin, em Genebra, e aprendeu alemão para ler Schopenhauer e Nietzsche.
De volta a Buenos Aires em 1921, Borges redescobriu a cidade que se transformara em uma metrópole moderna. Em 1923, publicou seu primeiro livro de poemas, Fervor de Buenos Aires, e desde então não parou de cantar os bairros, o Sul, o tango e os valentões de faca. Obras como História universal da infâmia (1935), Ficções (1944), O Aleph (1949) e O livro de areia (1975) o consagraram como um clássico vivo.
Seu antiperonismo custou caro: em 1946, foi removido de seu cargo de bibliotecário municipal e designado inspetor de aves e ovos no Mercado de Concentração, um ato de humilhação que Borges enfrentou com dignidade. Após a Revolução Libertadora, em 1955, foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional e professor de literatura inglesa na UBA. A cegueira, que o envolveu progressivamente, não o impediu de dar conferências, escrever e receber reconhecimentos como o Prêmio Cervantes em 1980, das mãos do rei Juan Carlos I.
Um Palácio para Borges: a agenda cultural
O Palacio Libertad (antigo Centro Cultural Kirchner) apresenta “Um Palácio para Borges”, uma série de atividades que unem literatura, música, artes visuais e tecnologia para celebrar a vigência do autor. Entre as propostas, destacam-se:
🎵 Jairo canta Borges
Na segunda-feira, 24 de agosto, às 20h, no Auditório Nacional, Jairo recriará seu mítico disco Jairo canta a Borges (1977) junto à Orquestra Nacional de Música Argentina e ao Coro Polifônico Nacional, sob a direção de Ezequiel Silberstein. Incluirá as doze canções do álbum, com músicas de Eduardo Falú, Astor Piazzolla, Carlos Guastavino e Cuchi Leguizamón.
🎬 Borges e o cinema
De 21 a 30 de agosto, na Sala María Luisa Bemberg, serão exibidos Invasão e Os outros (com roteiro de Borges), Moebius e o documentário Borges/Santiago: Variações sobre um roteiro.
🌀 Labirinto: intervenções visuais
De 26 de agosto a 27 de setembro, o Palacio Libertad se transformará em um labirinto de ideias, espelhos e espirais lúdicos inspirados nos grandes temas borgeanos: bibliotecas, o Aleph, a cegueira e o infinito.
📚 Borges e Bioy: visita guiada
Até 23 de agosto, às sextas e domingos, às 17h, um percurso pela Buenos Aires que formou Borges e Bioy Casares, celebrando sua amizade e suas obras em colaboração.
Além disso, a rádio online do Palacio Libertad estreou Hexagrama Borges, um programa onde uma IA sintetiza o autor para responder perguntas sobre a literatura argentina. É transmitido todos os dias às 16h e 19h.
Livros imprescindíveis para o Dia do Leitor
Para celebrar a data, especialistas e leitores coincidem em uma seleção de obras que não podem faltar em nenhuma biblioteca:
- Ficções (1944): seu livro de contos mais famoso, com “O jardim dos caminhos que se bifurcam”.
- O Aleph (1945): um ponto onde convergem todos os pontos do universo.
- História universal da infâmia (1935): crônicas de crimes reais com seu selo inconfundível.
- O livro de areia (1975): treze contos breves, uma de suas últimas produções.
- Fervor de Buenos Aires (1923): seu primeiro poemário, um canto à cidade.
- Inquisições (1925): seu primeiro livro em prosa, reeditado em 1994.
Borges morreu em Genebra, em 14 de junho de 1986, aos 86 anos, deixando um legado que transcende fronteiras. Como escreveu em seus sonetos a Buenos Aires: “Não nos une o amor, mas o espanto; será por isso que a quero tanto”.
Fontes: TN, Clarín, Diario Norte, Palacio Libertad.