O governo nacional da Argentina apresentou um ambicioso plano de obras para a Ruta 40, a espinha dorsal do país, com mais de 5.000 km de extensão. O projeto promete melhorar a segurança, o turismo e a logística, gerando milhares de empregos. Saiba todos os detalhes dessa iniciativa histórica.

Um plano histórico para a rota mais emblemática da Argentina

O governo argentino, por meio da Vialidad Nacional (órgão equivalente ao DNIT no Brasil), apresentou um plano de obras para a Ruta Nacional 40 que abrange mais de 5.000 quilômetros e atravessa 11 províncias. O anúncio foi feito em um ato liderado pelo ministro de Obras Públicas, que destacou a importância desse corredor para a conectividade, o comércio e o turismo.

A Ruta 40, conhecida como a rota mais longa da Argentina e uma das mais extensas do mundo, vai de Cabo Vírgenes, na província de Santa Cruz (extremo sul), até La Quiaca, em Jujuy (fronteira com a Bolívia), acompanhando a Cordilheira dos Andes. O percurso inclui paisagens icônicas como a Quebrada de Humahuaca, os vinhedos de Mendoza, o Parque Nacional Los Glaciares e a famosa Ruta de los Siete Lagos, muito procurada por turistas brasileiros.

“É um dia histórico para a infraestrutura viária do nosso país. A Ruta 40 é muito mais que uma estrada: é o eixo que une nossa diversidade geográfica e cultural”, afirmou o ministro durante a apresentação.

O que está incluído nas obras?

O plano prevê recapeamento asfáltico, nova sinalização horizontal e vertical, melhoria dos acostamentos, construção de bueiros e pontes, além da revitalização de mirantes turísticos. Também serão realizados estudos de impacto ambiental para minimizar danos aos ecossistemas ao longo do trajeto.

Segundo a Vialidad Nacional, as obras serão executadas por trechos, priorizando os setores mais degradados ou com maior tráfego de caminhões. Os trechos mais críticos estão em Santa Cruz, Chubut e Neuquén, onde o clima severo e o uso intenso causaram buracos e afundamentos.

Investimento e financiamento

O investimento total estimado é de cerca de 400 bilhões de pesos argentinos (aproximadamente 320 milhões de dólares), mas as autoridades alertam que o valor final pode variar conforme os custos e as licitações. O dinheiro virá do orçamento nacional e de um empréstimo internacional do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O cronograma prevê a execução em 4 anos, com as primeiras licitações em novembro de 2026 e o início das obras no primeiro trimestre de 2027.

Impacto esperado

O governo estima que as obras vão gerar mais de 15.000 empregos diretos e indiretos nas províncias envolvidas. Além disso, espera-se um aumento do turismo interno e uma redução dos custos logísticos para as economias regionais, beneficiando produtores e comerciantes locais.

A notícia foi recebida com otimismo pelas câmaras de turismo e pelos governos provinciais, que veem na Ruta 40 um motor de desenvolvimento. Por outro lado, organizações ambientalistas pedem garantias de proteção aos glaciares e às áreas naturais protegidas cortadas pela rodovia.

Contexto histórico

A Ruta 40 foi criada em 1935 e, desde então, testemunhou a história argentina. Vários governos fizeram melhorias pontuais, mas nunca houve um plano integrado dessa magnitude. Em 2019, um programa de recapeamento na Patagônia foi lançado, mas ficou incompleto.

Com este novo plano, o governo busca transformar a Ruta 40 em um corredor turístico de classe mundial e melhorar a qualidade de vida dos milhares de argentinos que vivem ao longo de sua extensão.

Dados-chave do plano

  • Extensão total: 5.194 km
  • Províncias atravessadas: 11 (Santa Cruz, Chubut, Río Negro, Neuquén, Mendoza, San Juan, La Rioja, Catamarca, Tucumán, Salta e Jujuy)
  • Investimento estimado: 400 bilhões de pesos argentinos
  • Prazo de execução: 4 anos
  • Início das obras: primeiro trimestre de 2027
  • Empregos estimados: 15.000

Fonte: Vialidad Nacional e Ministério de Obras Públicas da Argentina.