Um episódio que mancha a festa do futebol sul-americano
O confronto entre Rosario Central e Corinthians, terminado em 0-0, ficou marcado por uma grave denúncia. O goleiro brasileiro Hugo Souza assegurou ter sido vítima de insultos racistas pela torcida argentina durante toda a partida. O fato ocorreu no estádio Gigante de Arroyito, casa do Rosario Central, na cidade de Rosario, Argentina, pela ida das oitavas de final da Copa Libertadores de 2026.
Para quem não conhece, a Copa Libertadores da América é o torneio de clubes mais prestigiado da América do Sul, equivalente à Champions League europeia. Já o Gigante de Arroyito é um dos estádios mais históricos da Argentina, palco de momentos memoráveis do futebol mundial.
Segundo o próprio jogador, os insultos começaram no aquecimento e se estenderam pelos 90 minutos. “Me chamaram de macaco e 'negro de merda' o jogo inteiro”, declarou Souza na zona mista, visivelmente abalado com a situação.
A ativação do protocolo antirracismo
Aos 21 minutos do segundo tempo, ao se preparar para sacar da sua meta, Souza chamou o árbitro uruguaio Andrés Matonte para informar o que estava acontecendo. O juiz ativou o protocolo antirracismo da FIFA, fazendo o sinal de braços cruzados em forma de “X” sobre a cabeça, embora a partida tenha continuado sem uma interrupção prolongada.
Inclusive Ángel Di María, ídolo do futebol argentino e capitão do Rosario Central, aproximou-se do setor da arquibancada e pediu que os insultos cessassem. Os alto-falantes do estádio também emitiram um chamado aos torcedores para evitar atos discriminatórios.
“Não sei o que passa por suas cabeças. Não sei se acham que são melhores que nós, que são mais humanos que nós, mas espero que algum dia isso mude de verdade e que possam fazer um exame de consciência”
O repúdio do clube e o apoio dos jogadores adversários
Souza, de 27 anos, ex-jogador do Flamengo e do Chaves de Portugal, ampliou seu testemunho e esclareceu que os jogadores argentinos não tiveram responsabilidade: “Os jogadores até me pediram desculpas pela atitude da torcida. Não foi uma atitude dos jogadores do Rosario, foi uma atitude da torcida”, destacou.
O Sport Club Corinthians Paulista emitiu um comunicado oficial repudiando energicamente o fato: “O clube repudia veementemente e lamenta mais um episódio de racismo no futebol. É indignante presenciar, mais uma vez, cenas como essa que não representam o que é o futebol”. A instituição exigiu uma investigação para identificar e punir os responsáveis.
Conmebol analisa os vídeos
A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol, entidade que organiza a Libertadores) solicitou as imagens da partida e contará com a colaboração do Rosario Central para identificar os torcedores que proferiram os insultos. As sanções para esse tipo de caso geralmente são financeiras e incluem campanhas de conscientização, embora o resultado do jogo não seja modificado.
Jornalistas brasileiros presentes em Arroyito garantiram ter ouvido expressões racistas já durante o primeiro tempo, e nas redes sociais circularam vídeos que mostram gestos discriminatórios de alguns torcedores.
A série segue aberta
No esportivo, o 0-0 deixou a classificação completamente aberta. A revanche será jogada no dia 20 de agosto de 2026 na Neo Química Arena, em São Paulo (Brasil), onde se definirá o classificado para as quartas de final, que enfrentará o vencedor de Estudiantes de La Plata (Argentina) e Universidad Católica de Chile.