O técnico do San Lorenzo, Néstor Gorosito, detalhou a tensa visita de mais de 50 integrantes da barra brava ao treino do clube, que exigiram uma lista de jogadores que não querem continuar. O time vive crise profunda, é lanterna do grupo e enfrenta o Unión neste sábado.

O clima no San Lorenzo é de verdadeira pressão. Depois da dura derrota por 2 a 0 para o Huracán no clássico de bairro, que quebrou um jejum de 25 anos sem vitória do Globo no Nuevo Gasómetro, a torcida organizada do Ciclón decidiu agir. Na manhã de quinta-feira, 13 de agosto de 2026, mais de 50 integrantes da Butteler invadiram o centro de treinamento e tiveram uma conversa tensa com o elenco, sem a presença de dirigentes ou comissão técnica no início da reunião.

O treinador Néstor Gorosito revelou nesta sexta-feira, 14 de agosto, em entrevista ao canal argentino TyC Sports, os detalhes do encontro: “A realidade é que falaram muito bem com a gente, vieram perguntar quais podem ser os motivos deste momento e eu disse o que falo com vocês: 'É preciso tempo de trabalho'”, afirmou Pipo, que também comentou a situação institucional: “Estamos há pouco tempo e, por causa das inibições de gestões anteriores, não podíamos registrar os jogadores. Agora conseguimos, mas o acúmulo de problemas acaba gerando momentos incômodos e difíceis”.

A exigência da barra: uma lista de jogadores

Segundo o jornalista Silvio Maverino, do site El Gráfico, a reunião não foi ameaçadora, mas também não foi amistosa. Os líderes da torcida disseram aos jovens que “deixam de ser crianças quando treinam com o time principal” e cobraram a falta de atitude no clássico. O ponto mais tenso ocorreu quando, diante de todo o elenco, a barra se dirigiu aos capitães Nicolás Tripichio e Alexis Cuello com uma exigência direta: “Para amanhã queremos uma lista com os nomes dos jogadores que não querem continuar no San Lorenzo”.

A pressão continuou com faixas espalhadas nas imediações do estádio com mensagens fortes: “Peçam desculpas aos sócios e saiam para vencer”, “Não perderam um clássico, perderam a dignidade” e “No San Lorenzo, clássicos se ganham”.

Apoio de Romagnoli e pedido de tempo

O ídolo Pipi Romagnoli saiu em defesa de Gorosito: “Ele tem respaldo para reverter a situação”. O próprio Pipo apoiou a diretoria de Marcelo Culotta, pois “não vai resolver em 50 dias o acúmulo de anos”. Ele também analisou o momento futebolístico: “Hoje o San Lorenzo é um time apressado. Desde que a bola sai do gol, ela tem que terminar em passe para gol, e nos custa a diferença de zonas para depois chegar à finalização”.

O Ciclón está na lanterna do Grupo A do Torneio Clausura, com apenas 3 pontos em quatro rodadas, mesma pontuação de Talleres e Estudiantes. Venceu apenas um dos últimos 11 jogos e foi eliminado nos pênaltis nas oitavas de final da Copa Argentina pelo Deportivo Riestra. Neste sábado, 15 de agosto, às 14h30 (horário da Argentina), recebe o Unión de Santa Fe no Nuevo Gasómetro pela quinta rodada, com transmissão da ESPN Premium.

Para quem não conhece o futebol argentino, o San Lorenzo é um dos cinco grandes clubes do país, com sede no bairro de Boedo, em Buenos Aires. A torcida é conhecida por sua paixão e cobrança intensa, especialmente em momentos de crise. O clássico contra o Huracán é um dos mais tradicionais da cidade, disputado entre bairros vizinhos.

Fontes: TyC Sports | Infobae | El Gráfico