Em uma semana desafiadora para os ativos locais, o S&P Merval registrou sua sexta queda consecutiva, embora a estabilidade do dólar e as sólidas reservas do BCRA mostrem um cenário de cuidado e planejamento. Enquanto Wall Street celebra um dado de emprego fraco, a Argentina antecipa sua inflação nacional com otimismo após o dado de Buenos Aires.

Um mercado em transição: foco na estabilidade e no planejamento

A primeira semana de agosto de 2026 deixou um panorama de ajustes para os ativos argentinos, que operaram na contramão da recuperação internacional. O S&P Merval (o principal índice da bolsa argentina) fechou com uma queda de 0,5%, ficando em 3.086.785 pontos, marcando sua sexta queda consecutiva. No entanto, esse movimento ocorre em um contexto de reordenação onde o Governo prioriza a âncora cambial e uma política monetária restritiva para conter a transferência para os preços.

O risco país e as reservas: um equilíbrio cuidadoso

O risco país (um indicador que mede a confiança dos investidores em um país, calculado pelo banco JP Morgan) terminou a semana em 451 pontos básicos, após ter tocado um mínimo de 411 pontos na segunda-feira. Este indicador reflete a cautela dos investidores frente aos fatores domésticos, embora a solidez das reservas do Banco Central da República Argentina (BCRA) continue sendo um pilar fundamental. As reservas internacionais brutas do BCRA aumentaram para USD 49.455 milhões, graças à contribuição do aumento do preço do ouro, marcando máximos históricos recentes.

Wall Street e o dado de emprego

Enquanto isso, no plano internacional, os mercados viveram um dia de alta. O Dow Jones subiu 0,3%, o S&P 500 ganhou 0,6% e o Nasdaq Composite aumentou 1,3%. Essa recuperação ocorreu após os Estados Unidos perderem 23.000 postos de trabalho em julho (com desemprego em 4,1%), o que diminuiu as expectativas de novos aumentos nas taxas de juros por parte da Reserva Federal.

Inflação e dólar: sinais de arrefecimento

O mercado de câmbio permaneceu estável, com o dólar atacadista (conhecido como 'mayorista') fechando em $1.498,50 pesos argentinos e o dólar blue (o câmbio paralelo informal) em $1.525 pesos. A atenção está agora na inflação nacional de julho, que será divulgada no próximo 13 de agosto. O dado da Cidade de Buenos Aires (CABA), que atingiu 2,9%, superou as expectativas do mercado, mas a inflação implícita na curva de títulos mostra um arrefecimento futuro.

O petróleo e o contexto global

O petróleo também influenciou a jornada, com o barril de Brent fechando em USD 82,16. A normalização do tráfego pelo Estreito de Ormuz moderou a pressão sobre o petróleo, o que barateia as importações de combustíveis e gera um saldo levemente positivo para o comércio exterior argentino. Este cenário internacional favorável, somado às reformas institucionais promovidas pelo Governo, como a reforma da Carta Orgânica do BCRA, lançam as bases para um futuro mais estável e próspero.

Fontes: Infobae, Ámbito, El Cronista e El Día.

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