Desde domingo, 9 de agosto de 2026, colonos israelenses extremistas mantêm várias famílias palestinas sitiadas em suas casas na aldeia de Qusra, na Cisjordânia. Nesta quinta-feira, 13 de agosto, o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, classificou o ataque como um ato de terror, enquanto as Forças de Defesa de Israel despejavam as casas para desmantelar o cerco e proteger os moradores.

O cerco na aldeia de Qusra

A tensão começou no domingo, 9 de agosto de 2026, quando colonos israelenses bloquearam o acesso a três casas palestinas na localidade de Qusra, situada a cerca de 16 quilômetros da cidade de Nablus. As famílias Abu Ridi e Hassan, compostas por 16 pessoas nas três residências sitiadas, denunciaram que o fornecimento de água e eletricidade foi cortado e que seus estoques de alimentos se esgotaram rapidamente.

Segundo relatos da BBC Mundo, os colonos derrubaram um muro em frente à casa da família Abu Ridi e usaram as pedras para bloquear a estrada, deixando sete pessoas, incluindo duas meninas, sem poder sair. Qusay Abu Ridi publicou nas redes sociais que a situação era crítica e que eles apenas pediam o direito de viver com segurança e dignidade em sua própria terra.

Uma condenação incomum vinda de Washington

Na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, emitiu uma condenação contundente através da rede social X. Huckabee, historicamente aliado do movimento de colonos, classificou o cerco como um "horrível ato de terror", conforme informou a Cadena 3.

O proprietário de uma das residências, Lou Ridi, que vive em Ohio, nos Estados Unidos, declarou que seu irmão de 48 anos e seu sobrinho adolescente foram evacuados pelo exército israelense na manhã de quinta-feira. Ridi afirmou que os colonos vinham hostilizando a casa há meses, cortando serviços e lançando pedras, e sentenciou: "Somos prisioneiros em nossa própria casa, reféns em nossa própria casa".

Intervenção do exército israelense e despejo

As Forças de Defesa de Israel (FDI) reforçaram sua presença na área após vários dias de crescente tensão. Na quarta-feira, 12 de agosto, o chefe do Comando Central, general de divisão Avi Bluth, chegou ao local, o que resultou em confrontos entre soldados, polícia de fronteira e a multidão de colonos, que foram dispersados com gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral.

Segundo a Infobae, na quinta-feira, 13 de agosto, o exército despejou 7 casas palestinas em uma operação para evacuar os colonos. Dois postos avançados ilegais foram desmantelados em Qusra e na aldeia vizinha de Yalud. Além disso, um civil israelense relacionado aos fatos foi detido.

O exército anunciou que tomará medidas disciplinares contra o pessoal de segurança que foi visto rezando e tirando selfies com os colonos durante os primeiros dias do cerco, um fato capturado por câmeras de segurança palestinas.

Contexto: O que é a Área B?

A aldeia de Qusra está localizada na Área B da Cisjordânia. De acordo com os Acordos de Oslo de 1995, esta zona está sob controle administrativo palestino, mas sob controle de segurança israelense. Os assentamentos e postos avançados estabelecidos por colonos nessas áreas são considerados ilegais segundo o direito internacional, embora o governo israelense conteste essa visão.

Um posto avançado (ou outpost) difere de um assentamento convencional por ser estabelecido sem autorização oficial do governo israelense, embora muitas vezes conte com apoio de funcionários e entidades estatais, conforme detalham organizações de direitos humanos como a Yesh Din.

O panorama regional e a esperança de paz

O conflito em Qusra não é um caso isolado. O coordenador especial adjunto da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Ramiz Alakbarov, declarou ao Conselho de Segurança que a Cisjordânia está à beira do colapso. Segundo dados da ONU, em 2026, 76 palestinos (incluindo 18 crianças) foram mortos por forças israelenses ou colonos, e desde janeiro de 2023, 127 comunidades palestinas sofreram deslocamentos totais ou parciais.

O portal Aurora Israel destacou que os ataques de colonos extremistas na região aumentaram 63% durante 2026, incluindo agressões contra forças de segurança israelenses.