A inflação de julho (2,1%) definiu o novo limite superior da banda cambial para setembro. O teto ficará em torno de $1.919,45, enquanto o dólar atacadista opera próximo a $1.492. Explicamos como funciona este esquema e o que o mercado espera.

O INDEC (Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina) confirmou na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, que a inflação de julho foi de 2,1% ao mês. Esse dado impacta não apenas os preços, mas também o mercado cambial argentino. Com esse número, o Banco Central (BCRA) atualizou o teto da banda cambial que vigorará durante setembro, um mecanismo que delimita até onde o dólar oficial pode se mover sem intervenção direta da autoridade monetária.

Como funciona a banda cambial na Argentina?

A banda cambial é um corredor com um piso e um teto dentro do qual o dólar atacadista (aquele usado no mercado interbancário e para comércio exterior) flutua livremente conforme a oferta e a demanda. Se a cotação atingir o limite superior, o BCRA deve vender divisas para evitar que ultrapasse esse nível; se ultrapassar o piso, compra dólares para sustentá-lo. Este esquema vigora desde abril de 2025, quando o chamado 'cepo' (restrição cambial que limita a compra de divisas estrangeiras) foi flexibilizado. Desde janeiro de 2026, os limites são ajustados diariamente de acordo com o último dado de inflação disponível, com uma defasagem de dois meses.

Os novos valores para setembro de 2026

Com a inflação de julho (2,1%), o teto da banda passará de $1.879,97 (valor alcançado no final de agosto) para $1.919,45 no final de setembro. Enquanto isso, o piso ficará em $724,28, segundo o ajuste inverso. Esses números representam um aumento de quase $40 em relação ao mês anterior, refletindo a leve aceleração dos preços.

MêsTeto da bandaPiso da banda
Agosto (final)$1.879,97$724,28
Setembro (final)$1.919,45$724,28

Qual é a cotação do dólar hoje?

Nesta quinta-feira, o dólar atacadista fechou em $1.492, enquanto o teto vigente estava em $1.861. Ou seja, a cotação ficou 20% abaixo do limite superior, uma das maiores distâncias dos últimos dois meses. No que se refere a agosto, o BCRA moderou suas compras: obteve uma média de US$ 26 milhões diários, frente aos US$ 103 milhões de julho, embora tenha encadeado onze sessões consecutivas com saldo positivo. Isso demonstra uma ótima e contínua acumulação de reservas.

O que espera o mercado

Segundo a última Pesquisa de Expectativas de Mercado (REM), os analistas projetam um dólar atacadista de $1.546 para setembro, bem abaixo do teto formal. Para dezembro, a mediana estima $1.652, o que implicaria uma variação interanual de 14,1%. Desta forma, o mercado não espera que a taxa de câmbio utilize toda a margem permitida pela banda, mas que continue ancorada abaixo da inflação.

O esquema de bandas busca evitar saltos bruscos e dar previsibilidade, o que traz tranquilidade para investidores e cidadãos. Enquanto isso, as reservas internacionais mantêm-se em torno de US$ 49.561 milhões, próximas aos máximos de quase sete anos, um excelente sinal de estabilidade para a economia argentina.

Fontes: Ámbito | TN | Infobae | La Nación | El Destape