O Dia das Crianças argentino (celebrado em agosto) deixou um saldo negativo no comércio: as vendas caíram 2,5% em todo o país, segundo a CAME. Em Rosario, a queda foi de 10% nas lojas de brinquedos. O ticket médio ficou em cerca de 45.000 pesos, com consumidores priorizando promoções e parcelamento.

Um balanço desanimador para o comércio

O Dia das Crianças de 2026 (celebrado no segundo domingo de agosto) não conseguiu reverter a tendência de estagnação do consumo na Argentina. Segundo um levantamento da Câmara Argentina da Média Empresa (CAME), as vendas caíram 2,5% em termos anuais a preços constantes, apesar dos esforços comerciais com descontos agressivos e parcelamento. O gasto médio por operação ficou em 45.892 pesos argentinos, o que representa um aumento real de 0,8% em relação ao ano anterior.

Em Rosario, a Câmara do Brinquedo estima uma queda de cerca de 10% nas vendas em comparação com 2025. Diego Cuenca, presidente da entidade, afirmou que “as vendas não foram boas” e que a baixa se deve à paralisação do consumo e a mudanças culturais, como a menor taxa de natalidade, o avanço das telas e a concorrência das vendas online e de produtos importados.

Ticket médio e comportamento do consumidor

Em La Plata, um levantamento da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços indicou que o ticket médio foi de 45.000 pesos, com um consumidor “mais atento aos preços e às condições de compra”. Os compradores compararam alternativas, buscaram gastar menos e, em alguns casos, desistiram da opção inicialmente escolhida para levar um produto mais econômico.

Segundo a CAME, 81,2% dos comércios aderiram a ações promocionais, com destaque para o financiamento com cartão (55,3%) e descontos para pagamento em dinheiro (46,2%). No entanto, a demanda respondeu de forma seletiva e adiada, com tickets de menor valor.

Análise setorial: lojas de brinquedos, as mais afetadas

O levantamento da CAME mostrou quedas em todos os setores pesquisados:

  • Brinquedos: -4,8% (ticket médio: 45.038 pesos)
  • Vestuário: -4,1% (ticket: 42.344 pesos)
  • Calçados e marroquinaria: -3,1% (ticket: 50.680 pesos)
  • Papelaria: -1,8% (ticket: 38.279 pesos)
  • Equipamentos de áudio, vídeo, celulares e acessórios: -1% (ticket: 51.136 pesos)

Em Rosario, o ticket médio nas lojas de brinquedos foi de 40.000 pesos, embora nos shoppings pudesse ser um pouco maior. A localização do comércio teve impacto direto: as lojas de bairro sofreram mais, enquanto as do centro e as de grandes centros comerciais tiveram melhor desempenho.

Fatores que explicam a queda

Os comerciantes concordam que a situação econômica é o principal condicionante, mas também há mudanças estruturais. Miguel Rucco, referência da rua San Luis em Rosario, afirmou: “O presente é um presente. O Dia das Crianças sofre com as mudanças de costumes. Ticket baixo, famílias com menos crianças, menos natalidade, a tecnologia, a economia”.

Além disso, a concorrência se ampliou: bazares, casas de importação, grandes superfícies e plataformas online participam cada vez mais. Segundo Cuenca, aproximadamente 70% dos brinquedos comercializados são importados, enquanto os 30% restantes são de produção nacional.

Expectativas vs. realidade

O levantamento da CAME mostrou que apenas 14,7% dos comércios conseguiram um balanço favorável em relação ao esperado, enquanto 41,7% ficaram abaixo de suas estimativas. 36% indicaram que a data trouxe movimento, mas não alterou o panorama geral, e apenas 9,1% consideraram que a celebração foi fundamental para dinamizar o mês.

Em La Plata, os comerciantes expressaram que “sempre se espera mais”, embora tenham reconhecido que as promoções e as formas de pagamento foram ferramentas importantes para acompanhar uma demanda mais seletiva.

Um futuro desafiador para as lojas de brinquedos

Os comerciantes destacam que as lojas de brinquedos tradicionais ainda podem se diferenciar com aconselhamento, atendimento personalizado e facilidades de troca. No entanto, o balanço do Dia das Crianças acende um alerta: menos vendas, tickets contidos e uma concorrência que se ampliou muito além das lojas de brinquedos, em um mercado que enfrenta mudanças demográficas e culturais de longo prazo.

Fontes: La Capital | CAME | El Día