Após 11 anos de silêncio, a banda liderada por Brittany Howard volta com seu terceiro álbum de estúdio, 'I Must Be Dreaming'. Um trabalho que nasceu de um show beneficente e que já os coloca em turnê, conquistando novas gerações.

Um retorno inesperado

A música tem formas misteriosas de reunir as pessoas, e para o Alabama Shakes, esse reencontro aconteceu em dezembro de 2024, quando a banda subiu ao palco do Bama Theater em Tuscaloosa para um show beneficente em prol da Druid City Brewing Company. O que começou como um gesto solidário se transformou na faísca que acendeu seu retorno discográfico.

O resultado é I Must Be Dreaming, o primeiro álbum da banda em 11 anos, lançado na sexta-feira, 30 de agosto de 2026. Com 11 faixas, o disco marca um marco na carreira de Brittany Howard (vocal), Zac Cockrell e Heath Fogg, que retomam o caminho deixado em 2018, quando Howard e Fogg seguiram para projetos solo.

“Não foi planejado. Simplesmente aconteceu, e quando começamos a tocar juntos de novo, sentimos que era o momento certo”, confessou Howard em entrevista recente.

De EP a álbum completo

O projeto começou como um EP, mas a primeira sessão de estúdio foi tão produtiva que surgiram 7 músicas em um único dia. Isso impulsionou a banda a expandir o trabalho até se tornar um álbum de longa duração. A temática do disco aborda a unidade social, o ativismo e o caos do mundo pós-Covid, mas sempre com uma mensagem de esperança.

Duas faixas se destacam especialmente: “American Dream”, que reflete sobre a desconfiança no governo, e “I Feel Hope Coming”, um hino otimista que resume o espírito do álbum.

Uma turnê que reconquista palcos

A banda não só voltou aos estúdios, mas também aos palcos. Sua turnê atual é a primeira desde 2017 e os levou a abrir para Zach Bryan diante de 40.000 pessoas, além de dividir o palco como co-headliners com a Tedeschi Trucks Band e contar com a lendária Mavis Staples como atração de abertura.

O mais emocionante, segundo Howard, é ver novos fãs jovens em cada show, muitos dos quais não haviam nascido quando a banda lançou seu álbum de estreia. “É incrível ver como a música continua conectando gerações”, afirmou.

Um legado que pesa e motiva

O trabalho anterior do Alabama Shakes, Sound & Color (2015), estreou no #1 da Billboard 200 e rendeu 3 prêmios Grammy. Essa pressão poderia ter sido avassaladora, mas a banda a encarou como inspiração. “Não tentamos repetir nada. Só queríamos fazer música que nos fizesse sentir vivos”, explicou Cockrell.

Com I Must Be Dreaming, o Alabama Shakes prova que os reencontros podem ser mais doces que os começos, e que a esperança, como diz sua nova canção, está sempre chegando.