Estratégia de defesa em nível internacional

A ex-presidente Cristina Kirchner apresentou uma comunicação individual ao Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) para questionar sua condenação na Causa Vialidad. A denúncia foi feita após esgotar todas as instâncias da justiça argentina, requisito indispensável para recorrer ao organismo internacional.

No âmbito dessa apresentação, Kirchner publicou nesta quarta-feira, 29 de julho de 2026, uma carta aberta intitulada O custo democrático da politização da Justiça, na qual voltou a questionar a sentença que a inabilitou perpetuamente para exercer cargos públicos e pela qual se encontra em prisão domiciliar no bairro de Constitución, em Buenos Aires. Também publicou artigos de opinião nos jornais El País (Espanha), Libération (França) e Folha de S.Paulo (Brasil).

O argumento do machismo estrutural

Em sua carta, a ex-mandatária sustentou que durante o processo judicial foram violados seus direitos políticos e as garantias do devido processo legal. Argumentou que o que sofreu não pode ser compreendido apenas como uma sucessão de decisões judiciais equivocadas, mas como graves violações de direitos humanos, nascidas de um machismo estrutural que ainda subsiste em setores do sistema judicial argentino.

Kirchner afirmou que o verdadeiro objetivo da condenação é impedir sua participação política. “A proscrição perpétua é, na realidade, a pena principal. A privação da liberdade por seis anos é apenas a acessória”, declarou, acrescentando que não responderá com ódio, mas com mais Direito, mais democracia e mais verdade.

Novos advogados na equipe legal

Para fortalecer sua estratégia internacional, a defesa da ex-presidente incorporou dois novos juristas de renome internacional: o espanhol Javier Borrego e o brasileiro Rafael Valim.

Valim é especialista em lawfare e participou da defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso Lava Jato, obtendo uma condenação contra a justiça brasileira no Comitê de Direitos Humanos da ONU. Borrego foi juiz na Sala Contencioso-Administrativa do Tribunal Supremo da Espanha e do Tribunal Europeu de Direitos Humanos. A equipe na Argentina continua sendo liderada por Carlos Beraldi.

Contexto da Causa Vialidad

Em junho de 2025, Cristina Kirchner foi condenada a seis anos de prisão e inabilitação perpétua por administração fraudulenta em prejuízo do Estado, no âmbito da Causa Vialidad. O caso investigou a adjudicação irregular de obras públicas rodoviárias na província de Santa Cruz durante os governos de Néstor e Cristina Kirchner.

O tribunal que emitiu a condenação original afirmou que se tratou de uma manobra fraudulenta que inflou e beneficiou ilicitamente o empresário Lázaro Báez. Por fim, a Corte Suprema de Justiça da Nação Argentina rejeitou o recurso da defesa, confirmando a condenação ao assinalar que a apelante não cumpriu o requisito de fundamentação autônoma.

Fontes: La Nación, La Política Online.