A Zâmbia vai às urnas com os olhos voltados para o futuro
Segundo informa The Guardian, os zambianos foram às urnas nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026 em uma jornada eleitoral decisiva. O presidente Hakainde Hichilema, de 64 anos, busca seu segundo mandato à frente da nação africana, após sua histórica vitória esmagadora sobre seu eterno rival, Edgar Lungu, nas eleições de 2021.
O legado político de Edgar Lungu
A política na Zâmbia, país localizado no sul do continente africano, continua sendo influenciada pela antiga disputa entre Hichilema e Lungu. Lungu faleceu na África do Sul em junho de 2025, mas a tensão persistiu mesmo após sua morte. O governo de Hichilema tentou inicialmente realizar um funeral de Estado, o que levou a uma disputa judicial. Finalmente, em junho de 2026, a Suprema Corte de Apelações da África do Sul decidiu a favor da família de Lungu, permitindo que eles decidissem sobre o enterro.
Nestas eleições, Hichilema enfrenta a Aliança Tonse, uma coalizão de partidos de oposição liderada por Brian Mundubile (55 anos), que foi chefe de Governo sob a administração de Lungu. Mundubile e seu candidato a vice, Makebi Zulu, prometeram trazer os restos mortais de Lungu de volta à Zâmbia para um enterro digno, um aspecto de grande relevância em uma cultura onde o respeito pelos mortos é primordial.
Democracia e liberdade de campanha
A Aliança Tonse denunciou táticas autoritárias durante a campanha, incluindo invasões e a detenção de 36 membros da equipe de Mundubile. No entanto, a equipe do presidente defende seu histórico democrático, lembrando a repressão sofrida por Hichilema em 2021, quando foi preso 15 vezes e a internet foi cortada no dia das eleições.
A realidade atual mostra um cenário mais aberto: a oposição faz campanha livremente nas 10 províncias do país, nenhum meio de comunicação foi fechado e as ondas de rádio estão abertas, conforme destacado pelo Partido Unificado para o Desenvolvimento Nacional. Embora organismos como a Transparência Internacional Zâmbia monitorem alguns incidentes de interrupções policiais, o clima geral reflete um avanço democrático.
Uma economia em recuperação e a atração de investimentos
O cenário econômico da Zâmbia mostra sinais encorajadores. Desde a crise de 2020, quando o país entrou em inadimplência de dívidas sob o mandato de Lungu, a economia se estabilizou notavelmente. A inflação anual atual é de 6,5%, uma melhora substancial em comparação com os 24,6% registrados em julho de 2021. Além disso, em 2022, o governo implementou o ensino primário e secundário gratuito, um marco para o desenvolvimento social.
A Zâmbia também está atraindo a atenção de investimentos internacionais graças aos seus imensos depósitos de cobre, um material fundamental para o desenvolvimento de tecnologias verdes e a transição energética global.
Impulso para a juventude
Em um gesto em direção aos jovens eleitores, Hichilema anunciou um aumento de 50% no subsídio de moradia para estudantes universitários, com efeito imediato, motivando a população estudantil.
O desafio do custo de vida
A renda anual média subiu de US$ 1.127 para US$ 1.318 entre 2021 e 2025. Embora a economia cresça, o desafio de traduzir esses números em uma melhora palpável no dia a dia das famílias continua sendo a prioridade.
O futuro de 8,8 milhões de eleitores
Com quase 8,8 milhões de eleitores registrados, que também escolherão deputados e vereadores locais, as eleições representam um momento de grande esperança e definição. A estabilização econômica, o investimento em educação e a consolidação democrática são os pilares sobre os quais a Zâmbia constrói seu caminho em direção a um futuro próspero para todos os seus cidadãos.