Em uma virada que redefine os objetivos da guerra no Oriente Médio, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, declarou em 14 de agosto de 2026 que a prioridade absoluta da administração Trump é manter o petróleo e o gás baratos para os americanos, acima da preocupação histórica com o arsenal nuclear iraniano. A declaração, feita em entrevista à Fox News, marca uma mudança radical no discurso oficial, que até então colocava a necessidade de impedir que Teerã obtivesse uma arma atômica como a justificativa central da ofensiva.
“Sei que o preço do petróleo caiu hoje e está bem abaixo dos máximos alcançados no início do conflito. Esse é o objetivo número um: manter o petróleo e o gás baratos para os americanos em todo o país”, afirmou Vance. E acrescentou: “E, obviamente, o segundo objetivo é garantir que o Irã nunca obtenha uma arma nuclear”.
Uma mudança de prioridades que abala a estratégia
A declaração de Vance confirma uma guinada para uma abordagem mais cautelosa e econômica, em linha com as recentes declarações do presidente Donald Trump, que dias antes havia afirmado que um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz (uma passagem marítima vital pelo qual passa uma grande parte do comércio global de petróleo) era iminente. No entanto, a administração endureceu sua postura e agora aposta que o sofrimento econômico force o Irã a ceder.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, tentou suavizar a mudança: “Acho que ambos os objetivos são igualmente importantes para o presidente: queremos manter os preços da gasolina baixos, mas também garantir que o Irã nunca consiga uma arma nuclear. Algo que ele garantirá que aconteça, aconteça o que acontecer”.
Essa postura contrasta com as declarações de Trump em maio de 2026, quando disse: “A única coisa que me importa quando falo do Irã é que eles não podem ter uma arma nuclear. Não penso na situação financeira dos americanos. Não penso em ninguém”.
Pressão econômica sem precedentes
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, antecipou novas sanções econômicas contra o Irã e advertiu que o país enfrentará um isolamento “como nunca antes se viu no mundo”. Em entrevista à Newsmax, Bessent garantiu: “Fiquem atentos a este espaço para mais anúncios na próxima semana, porque vamos aplicar medidas como nunca se viram na história do isolamento econômico de um país”.
Bessent comparou a estratégia com os bloqueios aplicados à Venezuela e a Cuba: “A Venezuela desmoronou imediatamente quando impusemos o bloqueio”. A nova estratégia combina pressão financeira e bloqueio físico sobre os portos iranianos, com o objetivo de privar Teerã de sua principal fonte de divisas.
Capacidade Naval
A Marinha dos EUA afirma que pode manter o bloqueio ao Irã por tempo indeterminado, rotacionando seus navios.
Impacto no Ormuz
Apenas 13 embarcações cruzaram o estreito em 13 de agosto de 2026, ante mais de 120 que passavam diariamente antes do conflito.
A Marinha pode sustentar o bloqueio indefinidamente
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, assegurou que a Marinha americana tem a capacidade de manter o bloqueio naval contra o Irã de forma indefinida. “A Marinha dos Estados Unidos pode manter um bloqueio desse tipo indefinidamente porque rotacionaremos os navios, como temos feito, e continuaremos a fazê-lo”, declarou durante uma visita ao Panamá.
O bloqueio, que impede a entrada e saída de mercadorias dos portos iranianos, causou graves danos econômicos à república islâmica. Os EUA suspenderam o bloqueio por um mês em meados de junho de 2026, mas o reimpuseram posteriormente, agravando as perdas iranianas.
O Estreito de Ormuz: o núcleo do conflito
O Estreito de Ormuz, por onde circulava antes da guerra um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, continua sendo o principal foco de tensão. O Irã mantém a passagem paralisada como cartada de negociação e exige condições para reabri-la: fim da guerra em todas as frentes, levantamento do bloqueio aos portos iranianos, eliminação de sanções, liberação de ativos congelados e compensação pelos danos da guerra.
O tráfico marítimo segue extremamente limitado. Segundo a empresa de inteligência marítima Kpler, apenas 13 embarcações cruzaram o estreito na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, frente às mais de 120 que o faziam diariamente antes do conflito. Nove desses navios seguiram a rota aprovada pelo Irã, enquanto os outros quatro desligaram seus transpondedores para evitar serem detectados.
A situação se agravou na noite de 13 de agosto de 2026, quando a Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNOC) — uma das maiores empresas de energia dos Emirados Árabes Unidos — informou que dois de seus navios foram atacados no estreito. O governo emiratense responsabilizou o Irã, que não fez comentários imediatos.
O petróleo reage em baixa
Os preços do petróleo caíram no início da manhã de 14 de agosto de 2026. O Brent (petróleo extraído do Mar do Norte, usado como referência internacional) caiu 2,1%, situando-se em 87,06 dólares por barril, enquanto o WTI (petróleo extraído no Texas, EUA) alcançou 82 dólares por barril. A queda reflete as expectativas de que a pressão econômica sobre o Irã possa forçar a reabertura do estreito, embora analistas alertem que a incerteza continua alta.
A Agência Internacional de Energia advertiu que, à medida que o mundo consome suas reservas de petróleo, a urgência de reabrir o estreito se torna cada vez mais premente, mesmo com a queda dos preços.
Negociações estagnadas e um acordo rompido
As conversas entre Washington e Teerã encontram-se em um ponto morto. Em meados de junho de 2026, ambas as partes assinaram um protocolo de acordo que incluía a criação de um fundo de reconstrução de 300 bilhões de dólares para o Irã, mas o entendimento se quebrou no início de julho de 2026. Desde então, Trump enfrenta dificuldades para encontrar uma saída diante das exigências do governo iraniano.
O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, questionou a estratégia americana e acusou Washington de cometer “maus cálculos” vinculados a falhas de inteligência. “Um exemplo: a guerra contra o Irã. Agora, um cálculo errado ainda mais grave sobre o Estreito de Ormuz”, escreveu no X (antigo Twitter).
Enquanto isso, uma comissão parlamentar iraniana aprovou um plano que proíbe o trânsito de ativos e equipamentos dos Estados Unidos, Israel e outros países considerados “hostis” pelo estreito, segundo informou a agência semioficial Tasnim.
Um conflito que se aproxima dos seis meses
A guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada no final de fevereiro de 2026 com a ofensiva de Trump e Israel, está prestes a completar seis meses. O conflito teve um impacto devastador na região e na economia global, com o Estreito de Ormuz transformado em um campo de batalha e o fornecimento de petróleo gravemente afetado.
A nova estratégia de Washington, centrada na pressão econômica, representa uma tentativa de forçar Teerã a ceder sem uma escalada militar maior. No entanto, as exigências iranianas e a resistência do regime sugerem que o caminho rumo a uma solução negociada permanece incerto, embora sempre haja esperança de que o diálogo prevaleça para o bem-estar global.
Com informações de AFP, Reuters, CNN e Bloomberg.