O presidente francês Emmanuel Macron foi captado se divertindo em uma moto aquática e praticando surf foil durante suas férias no forte de Brégançon, em pleno 'verão apocalíptico' na França, com cinco ondas de calor, seca e incêndios históricos. A publicação das imagens pela Paris Match desatou uma onda de críticas da oposição, que o acusa de 'eco-hipocrisia'.

Férias que acendem a polêmica

As fotografias publicadas em 14 de agosto de 2026 pela revista Paris Match mostram o presidente francês Emmanuel Macron cruzando as águas do Mediterrâneo a bordo de uma moto aquática e praticando surf foil. As imagens, tiradas na residência presidencial de verão de Brégançon, na Côte d'Azur, foram divulgadas enquanto a França atravessa uma temporada extrema: cinco ondas de calor, uma seca severa e incêndios florestais que já foram classificados como os piores desde 1949.

A capa da revista, que mostra Macron aproveitando seus últimos dias de descanso antes de deixar o Palácio do Eliseu (sede do governo francês) em 2027, foi imediatamente criticada pela oposição. A líder ambientalista Marine Tondelier, candidata às eleições presidenciais, ironizou na rede X: 'Vocês viram minha enorme moto aquática, quão rápido ela vai?' e acrescentou: 'Em pleno verão apocalíptico, nosso presidente nos oferece uma reportagem publicitária de suas férias'. Tondelier observou ainda que o país sofreu 'milhares de mortos' pelas ondas de calor e incêndios históricos.

'Enquanto a França arde e uma parte dos franceses não pôde ir de férias, o presidente se diverte em uma moto aquática. Essa é a mensagem? É um sucesso total.' — Olivier Faure, primeiro-secretário do Partido Socialista.

Críticas de todo o arco político

O líder socialista Olivier Faure também se juntou às críticas com uma mensagem no X. Do Partido Comunista, o senador Pierre Ouzoulias classificou as imagens como 'indecentes' e afirmou que preferiria ver o mandatário 'em um caminhão de bombeiros ajudando a apagar o incêndio'. Até a extrema direita se pronunciou. A deputada da Agrupação Nacional Edwige Diaz disse à Franceinfo que entende que as imagens 'tenham causado impacto', mas considerou que há 'assuntos mais importantes' e que prefere que Macron 'seja eficaz durante todo o ano'.

A resposta do Eliseu

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Do entorno presidencial, tentaram diminuir o peso da controvérsia. Garantiram que o fotógrafo não teve nenhum acesso autorizado para realizar a reportagem e lembraram que, desde que Macron chegou ao poder em 2017, são publicadas a cada verão fotografias obtidas sem autorização durante suas férias. O artigo que acompanha as imagens aponta que, apesar das atividades recreativas, Macron passa grande parte do dia ao telefone e dispõe em Brégançon de um escritório preparado para continuar com suas funções.

Um déjà vu: a polêmica de 2022

O episódio reacende a lembrança de uma controvérsia quase idêntica ocorrida em agosto de 2022. Naquela ocasião, Macron também foi fotografado a bordo de uma moto aquática enquanto a França combatia incêndios florestais devastadores e sofria uma forte onda de calor. As imagens causaram grande alvoroço porque, poucas semanas antes, o presidente havia pedido aos franceses um 'esforço de solidariedade' para reduzir o consumo de energia, em plena crise pela invasão russa da Ucrânia e o temor de um corte no fornecimento de gás. As motos aquáticas consomem várias vezes mais combustível que um automóvel familiar, um dado que alimentou as acusações de 'eco-hipocrisia' contra o mandatário.

Contexto: um verão extremo

A França está vivendo um dos verões mais duros de sua história recente. O país registrou cinco ondas de calor que deixaram milhares de mortos (as autoridades não deram números oficiais, mas os serviços de saúde relatam um excesso de mortalidade). Além disso, a seca afeta grande parte do território e os incêndios florestais devastaram milhares de hectares, especialmente no departamento de Gironda, onde o incêndio foi classificado como o pior desde 1949. A crise climática é um tema central no debate público, e a imagem do presidente aproveitando atividades aquáticas luxuosas contrasta com a realidade de muitos cidadãos que não podem sair de férias.

Um presidente com apoio em alta, mas sob escrutínio

Apesar das críticas, Macron viu sua imagem melhorar levemente nos últimos meses. Segundo a última pesquisa de Elabe para Les Echos, seu apoio subiu para 24%, cinco pontos a mais que em janeiro e dez a mais que em outubro passado, quando alcançou um mínimo histórico de 14%. Outra pesquisa do instituto CSA para o Journal du Dimanche o coloca em 28%. Os franceses valorizam sua atuação na cena internacional, como seu papel na crise do Irã ou no conflito na Ucrânia. No entanto, ele continua sendo, junto com François Hollande, o presidente francês pior avaliado da Quinta República. Com as eleições presidenciais a oito meses, estas férias são as últimas dele como chefe de Estado, e o episódio da moto aquática poderá custar caro em sua tentativa de consolidar um legado.

Fontes: Paris Match, Infobae, El País, La Nación.