A embaixada russa em Londres acusou o Reino Unido de ser 'cúmplice e coautor' dos ataques ucranianos com drones de fabricação britânica contra alvos na Rússia. O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, respondeu que seu país apoia '100%' a Ucrânia nesta 'guerra ilegal' liderada por Putin. A tensão aumentou após a revelação de que drones britânicos foram usados em ataques contra a Rússia.

Tensão diplomática em escalada

Na segunda-feira, 18 de agosto de 2026, a embaixada da Rússia em Londres emitiu um comunicado duro, alertando que as ações do Reino Unido terão 'consequências inevitáveis' após a revelação de que a Ucrânia utilizou drones de fabricação britânica para atacar alvos no território russo. A informação foi divulgada pelo jornal The Sunday Times, que identificou duas empresas inglesas como fornecedoras desses artefatos, uma delas subsidiária da BAE Systems.

O texto da legação russa acusou Londres de 'optar deliberadamente por uma escalada na crise na Ucrânia' e de agir como 'cúmplice e perpetrador de crimes sangrentos e ataques terroristas'. Além disso, sentenciou: 'Quanto mais profundo for seu envolvimento no conflito e maior seu apoio à máquina terrorista de Kiev, maior será o preço que terá que pagar'.

Resposta britânica: apoio incondicional

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, respondeu nesta terça-feira durante um evento em Wolverhampton (centro da Inglaterra): 'O Reino Unido está fazendo o que sempre disse que faria, que é apoiar a Ucrânia 100% contra esta guerra ilegal liderada por Vladimir Putin'. Burnham defendeu a posição britânica desde o início do conflito em 2022 e garantiu: 'Não somos amigos de conveniência. Estaremos lá quando a Ucrânia precisar de nós, e isso não vai mudar'.

O Ministério da Defesa britânico também emitiu um comunicado: 'O Reino Unido apoia a Ucrânia lado a lado e estamos comprometidos em fornecer o equipamento necessário para se defenderem contra a invasão ilegal de Putin'.

Contexto: ataque massivo com drones

No domingo 17 de agosto, a Rússia afirmou ter derrubado mais de 800 drones ucranianos no que descreveu como um dos maiores ataques aéreos da Ucrânia contra seu território. A agência estatal russa TASS indicou que muitos dos drones tinham como alvo a região de Moscou, onde reside grande parte da elite russa. Segundo a agência Noticias Argentinas, pelo menos seis pessoas morreram nesses ataques.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reportou que na última semana a Rússia lançou 1.550 drones, 1.560 bombas guiadas e 62 mísseis contra a Ucrânia, enquanto Kiev respondeu com ataques de longo alcance contra instalações militares e industriais russas.

O papel do Reino Unido na guerra

O Reino Unido é um dos principais doadores de ajuda militar à Ucrânia, atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha. Segundo a BBC, Londres comprometeu aproximadamente 33 bilhões de dólares em ajuda total, dos quais 16 bilhões correspondem a assistência militar. Esse valor inclui o fornecimento de drones, mísseis de longo alcance e treinamento de tropas ucranianas.

A advertência russa ocorre em um momento de máxima tensão, com ataques cruzados cada vez mais intensos. Além disso, na segunda-feira, um tribunal russo condenou Lev Shlosberg, vice-presidente do partido antiguerra Yábloko, a 11 anos de prisão por suas críticas à ofensiva na Ucrânia. A Anistia Internacional denunciou que se trata de 'represálias flagrantes por exercer seu direito à liberdade de expressão para pedir paz'.

Fontes: Infobae, Perfil, DW, Cadena 3.