Em uma nova escalada da guerra no Oriente Médio, Donald Trump publicou um mapa do Estreito de Ormuz com a legenda 'NOVO território dos Estados Unidos' e afirmou que a via está 'aberta e operativa'. O Irã respondeu que o estreito permanecerá fechado até que Washington cumpra suas condições, enquanto o trânsito de navios continua caindo e o petróleo ultrapassa os 91 dólares.

Trump intensifica a provocação sobre Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a acender a tensão no Oriente Médio ao publicar na terça-feira, em sua plataforma Truth Social, um mapa do Estreito de Ormuz com a legenda 'NOVO território dos Estados Unidos', acompanhado de uma faixa azul, vermelha e branca com estrelas. Na mensagem, Trump garantiu que a via marítima está 'aberta e operativa' e que 'todas as minas aquáticas foram removidas ou detonadas'.

Esta não é a primeira vez que o presidente americano insiste nessa ideia. Na sexta-feira anterior, em um comício em Long Island, Nova York, ele já havia afirmado que proporia incorporar o estreito como território americano após 'derrotar o Irã'. 'Muito em breve declararei o Estreito de Ormuz território dos Estados Unidos, essencialmente. Temos um bloqueio. Nenhum navio passa a menos que queiramos', disse.

Trump também ameaçou bombardear Omã: 'Se Omã se intrometer, vamos bombardeá-los e destruí-los'.

A resposta do Irã: sem abertura sem condições

A reação de Teerã não demorou. O principal negociador iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, afirmou diante do Parlamento que o estreito permanecerá fechado até que os Estados Unidos cumpram as condições do acordo provisório assinado em junho. Entre as exigências estão: levantar o bloqueio aos portos iranianos, retirar as sanções petrolíferas, descongelar os ativos de Teerã e pôr fim às ameaças e operações militares em todas as frentes.

O memorando de entendimento, alcançado em 17 de junho em Versalhes, desmoronou rapidamente devido à disputa sobre o controle da via navegável por onde circulava um quinto do petróleo e gás natural liquefeito mundial antes da guerra. Trump declarou o acordo 'encerrado' em 7 de julho, e uma semana depois o Irã o deu por 'suspenso'.

Segundo a Reuters, um alto funcionário iraniano afirmou na segunda-feira que Teerã adotará uma postura 'totalmente ofensiva' devido ao impasse diplomático.

Trânsito colapsa em Ormuz

Os dados da empresa de análise Kpler confirmam o impacto do conflito: as travessias de navios pelo estreito caíram 17% em um dia, para apenas 10 trânsitos confirmados na terça-feira. Destes, seis navios saíram do Golfo Pérsico e quatro entraram. Apenas cinco usaram o Esquema Unilateral Iraniano, enquanto nenhum foi confirmado pelo Sistema de Separação de Tráfego (TSS), a rota internacional habitual antes da guerra.

A Kpler também confirmou um novo ataque, ocorrido em 17 de agosto, contra o navio graneleiro Minoan Dignity, que deixou um marinheiro morto.

Petróleo em alta

A combinação de queda no trânsito, ataques a navios e disputa diplomática sem solução pressiona os preços do petróleo. O Brent é negociado em torno de 91,31 dólares por barril e o WTI perto de 84,38 dólares, ambos em alta. Analistas atribuem o aumento ao desaparecimento das expectativas de um acordo iminente, um padrão que se repete a cada escalada do conflito.

IndicadorValor
BrentUSD 91,31 (+0,32%)
WTIUSD 84,38
Travessias confirmadas em Ormuz10 (mínimo histórico recente)
Queda diária no trânsito17%

Omã no centro da tempestade

Irã e Omã negociam há meses um acordo sobre a navegação no estreito. O temor de Washington é que essas conversas levem à cobrança de pedágios de navios mercantes. Trump lançou uma ameaça direta contra Omã, país aliado dos EUA, em uma entrevista ao jornalista da Fox News Trey Yingst.

O Irã confirmou que as conversas com Omã 'continuam de forma séria' e que as coordenadas geográficas da rota de navegação já foram acordadas. Enquanto isso, Catar se ofereceu como mediador: o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Majed Al Ansari, disse que um acordo sobre Ormuz 'permitiria voltar ao quadro das negociações' entre Washington e Teerã.

Contexto: A guerra começou em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel lançaram sua campanha militar contra o Irã. O bloqueio naval continua em pleno vigor e o prazo de 60 dias do memorando expirou sem acordo.