Trump intensifica a provocação sobre Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a acender a tensão no Oriente Médio ao publicar na terça-feira, em sua plataforma Truth Social, um mapa do Estreito de Ormuz com a legenda 'NOVO território dos Estados Unidos', acompanhado de uma faixa azul, vermelha e branca com estrelas. Na mensagem, Trump garantiu que a via marítima está 'aberta e operativa' e que 'todas as minas aquáticas foram removidas ou detonadas'.
Esta não é a primeira vez que o presidente americano insiste nessa ideia. Na sexta-feira anterior, em um comício em Long Island, Nova York, ele já havia afirmado que proporia incorporar o estreito como território americano após 'derrotar o Irã'. 'Muito em breve declararei o Estreito de Ormuz território dos Estados Unidos, essencialmente. Temos um bloqueio. Nenhum navio passa a menos que queiramos', disse.
Trump também ameaçou bombardear Omã: 'Se Omã se intrometer, vamos bombardeá-los e destruí-los'.
A resposta do Irã: sem abertura sem condições
A reação de Teerã não demorou. O principal negociador iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, afirmou diante do Parlamento que o estreito permanecerá fechado até que os Estados Unidos cumpram as condições do acordo provisório assinado em junho. Entre as exigências estão: levantar o bloqueio aos portos iranianos, retirar as sanções petrolíferas, descongelar os ativos de Teerã e pôr fim às ameaças e operações militares em todas as frentes.
O memorando de entendimento, alcançado em 17 de junho em Versalhes, desmoronou rapidamente devido à disputa sobre o controle da via navegável por onde circulava um quinto do petróleo e gás natural liquefeito mundial antes da guerra. Trump declarou o acordo 'encerrado' em 7 de julho, e uma semana depois o Irã o deu por 'suspenso'.
Segundo a Reuters, um alto funcionário iraniano afirmou na segunda-feira que Teerã adotará uma postura 'totalmente ofensiva' devido ao impasse diplomático.
Trânsito colapsa em Ormuz
Os dados da empresa de análise Kpler confirmam o impacto do conflito: as travessias de navios pelo estreito caíram 17% em um dia, para apenas 10 trânsitos confirmados na terça-feira. Destes, seis navios saíram do Golfo Pérsico e quatro entraram. Apenas cinco usaram o Esquema Unilateral Iraniano, enquanto nenhum foi confirmado pelo Sistema de Separação de Tráfego (TSS), a rota internacional habitual antes da guerra.
A Kpler também confirmou um novo ataque, ocorrido em 17 de agosto, contra o navio graneleiro Minoan Dignity, que deixou um marinheiro morto.
Petróleo em alta
A combinação de queda no trânsito, ataques a navios e disputa diplomática sem solução pressiona os preços do petróleo. O Brent é negociado em torno de 91,31 dólares por barril e o WTI perto de 84,38 dólares, ambos em alta. Analistas atribuem o aumento ao desaparecimento das expectativas de um acordo iminente, um padrão que se repete a cada escalada do conflito.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Brent | USD 91,31 (+0,32%) |
| WTI | USD 84,38 |
| Travessias confirmadas em Ormuz | 10 (mínimo histórico recente) |
| Queda diária no trânsito | 17% |
Omã no centro da tempestade
Irã e Omã negociam há meses um acordo sobre a navegação no estreito. O temor de Washington é que essas conversas levem à cobrança de pedágios de navios mercantes. Trump lançou uma ameaça direta contra Omã, país aliado dos EUA, em uma entrevista ao jornalista da Fox News Trey Yingst.
O Irã confirmou que as conversas com Omã 'continuam de forma séria' e que as coordenadas geográficas da rota de navegação já foram acordadas. Enquanto isso, Catar se ofereceu como mediador: o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Majed Al Ansari, disse que um acordo sobre Ormuz 'permitiria voltar ao quadro das negociações' entre Washington e Teerã.