Uma catástrofe sem precedentes no Himalaia
Em 26 de agosto de 2026, um colapso massivo de encosta perto do pico Langtang Lirung (7.227 metros) no Nepal desencadeou uma inundação repentina no rio Lhende Khola, deixando um saldo devastador: cerca de 1.000 mortos e milhares de desaparecidos na zona fronteiriça com a China. A massa de rochas, gelo e detritos caiu cerca de 1.200 metros e avançou quase 100 quilômetros rio abaixo, arrasando vilarejos, pontes e estradas em seu caminho.
Segundo os primeiros relatos, trata-se do deslizamento de rocha e gelo mais devastador já registrado na região, superando até mesmo o desastre de Chamoli, na Índia, em 2021. A magnitude do evento colocou toda a comunidade científica internacional em alerta.
O papel das mudanças climáticas
Especialistas apontam que o aquecimento na região da Alta Montanha da Ásia (com elevação média de 4.000 metros) está desestabilizando encostas que antes permaneciam congeladas. O aumento das temperaturas derrete o permafrost, uma camada de solo que agia como cimento natural em encostas íngremes, aumentando o risco de deslizamentos.
O desastre combinou múltiplos fatores: desmoronamento de rocha, colapso de gelo, deslizamento, fusão acelerada e avalanche de detritos, um fenômeno conhecido como perigo em cascata. O impacto derreteu parte do gelo, aumentando o volume e a velocidade da água, enquanto o relevo estreito e inclinado do Himalaia acelerou ainda mais o fluxo de detritos.
“Estamos vendo um fenômeno que combina todos os piores cenários possíveis”, explicou um glaciólogo local. “A montanha não é mais estável como antes”.
Resgate nos túneis: uma corrida contra o tempo
O resgate é uma operação de alta complexidade. Pelo menos 900 trabalhadores permanecem desaparecidos em 12 projetos hidrelétricos soterrados sob lama e detritos. Desses, aproximadamente 500 estão presos em túneis de usinas elétricas, muitos dos quais estão cheios de lama e detritos, sem espaços vazios, o que dificulta enormemente a busca.
O piloto de drones Manish Maharjan colabora com o Exército do Nepal usando drones térmicos e alto-falantes para localizar os presos. No projeto hidrelétrico Rasuwagadhi, um drone não encontrou sinais de vida, aumentando a angústia das famílias.
As inundações também danificaram estradas, edifícios, pontes e usinas hidrelétricas, complicando o acesso das equipes de resgate e a entrega de ajuda humanitária.
Dados de risco e antecedentes
Uma análise de 60 avalanches de rocha e gelo na região revelou que 86% se originaram em encostas com inclinação superior a 30° e em altitudes acima de 3.000 metros; 65% ocorreram em áreas com provável permafrost. As avalanches são mais frequentes no Himalaia ocidental (Karakoram, Pamir) e no sul e leste do Tibete.
O antecedente mais próximo é a avalanche em Chamoli, Índia, em fevereiro de 2021, com 27 milhões de metros cúbicos de rocha e gelo, que deixou mais de 200 mortos ou desaparecidos. Este novo desastre supera amplamente esse número.
Propostas de monitoramento e prevenção
Diante da magnitude da tragédia, os cientistas propõem combinar observações de campo, monitoramento sísmico e dados de satélites com sensores ópticos e infravermelhos térmicos, além do uso de drones para vigiar terrenos inacessíveis. Também sugerem integrar essas observações em sistemas de alerta precoce para comunidades a jusante e reforçar o intercâmbio de dados e a vigilância conjunta entre países da região, já que muitos rios do Himalaia cruzam fronteiras nacionais.
Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha de perto a evolução dos resgates e as investigações sobre as causas dessa catástrofe que chocou o mundo.