Lorena Isceri, de 45 anos, foi sequestrada e jogada de uma ponte da rodovia A1, em Florença, pelo ex-companheiro Federico Vella, de 38 anos, que depois cometeu suicídio. O caso ocorreu na quinta-feira, 3 de setembro, e choca a Itália, que registra ao menos sete feminicídios desde 15 de agosto.

Um crime que abala a Itália

Na quinta-feira, 3 de setembro de 2026, a cidade de Florença, famosa por seu patrimônio artístico e cultural, foi palco de mais um feminicídio que sacudiu o país. Lorena Isceri, de 45 anos, que trabalhava no setor veterinário, foi sequestrada pelo ex-companheiro, Federico Vella, de 38 anos. Ele a obrigou a entrar no porta-malas de um carro e a levou até uma ponte sobre a rodovia A1, na zona de Rifredi, nos arredores de Florença.

De acordo com informações do The Guardian, Isceri conseguiu ligar para uma linha de emergência do celular enquanto estava trancada no porta-malas, alertando que havia sido sequestrada. A polícia rastreou o sinal do aparelho, mas quando chegou ao local já era tarde demais: Vella havia parado o veículo, tomado o telefone dela e a jogado da ponte. Em seguida, ele também saltou para o vazio.

As autoridades investigam se Isceri foi morta antes de ser lançada ou se morreu com a queda. O corpo da mulher foi encontrado na região, e o de Vella também foi recuperado.

O depoimento da mãe

A mãe de Lorena Isceri disse que conversou com a filha na manhã de quinta-feira e que ela “parecia bem”. No entanto, revelou que Lorena havia confessado sentir “muito medo” de Federico Vella, com quem havia terminado o relacionamento.

Esse depoimento reforça a preocupação com a falta de proteção efetiva para as vítimas de violência de gênero, mesmo quando há denúncias anteriores ou medos declarados.

Contexto nacional: uma onda de feminicídios

Este caso se torna o sétimo feminicídio na Itália desde 15 de agosto de 2026, data do feriado de Ferragosto, que marca o auge do verão europeu. Segundo dados do Ministério do Interior, na primeira metade de 2026 havia uma tendência de queda nos homicídios de mulheres, mas a organização Non Una di Meno contabilizava 40 mulheres assassinadas até 8 de agosto de 2026.

O número evidencia que, apesar dos avanços legislativos, a violência machista segue sendo uma emergência social no país.

O governo de Meloni e as promessas não cumpridas

O governo de Giorgia Meloni, no poder desde outubro de 2022, celebrou em 4 de setembro de 2026 ser o executivo mais longevo da república italiana. No entanto, esse aniversário é ofuscado pelas críticas dos coletivos feministas.

Em 2023, após o assassinato de Giulia Cecchetin, o governo prometeu endurecer as leis. Em 2025, foi aprovada uma lei que define legalmente o feminicídio e o pune com prisão perpétua, além de aumentar as penas para assédio, violência sexual e divulgação de imagens íntimas sem consentimento.

No entanto, uma medida-chave ficou pelo caminho: um programa de educação escolar sobre relacionamentos saudáveis para jovens foi bloqueado ao ser condicionado à aprovação dos pais, o que na prática impediu sua implementação generalizada.

A voz das ativistas

Luisa Rizzitelli, coordenadora na Itália da One Billion Rising, movimento global contra a violência de gênero, criticou duramente o governo por priorizar políticas de segurança sem programas estratégicos de prevenção e por rejeitar a educação sexual nas escolas. “Não se pode combater a violência machista apenas com penas mais duras; é preciso prevenção e educação”, afirmou.

O feminicídio de Lorena Isceri volta a colocar na mesa a urgência de abordar as causas estruturais da violência de gênero, para além das respostas punitivas.