Início do julgamento de Pity Álvarez: um dia de desenhos, sono e tensão
Em 10 de agosto de 2026, teve início o julgamento oral e público contra Cristian 'Pity' Álvarez, ex-líder das bandas de rock argentino Viejas Locas e Intoxicados, pelo homicídio de Cristian Maximiliano Díaz. O debate ocorre no Tribunal Oral em Criminal e Correcional (TOC) N° 29, em Buenos Aires, integrado pelos juízes Gustavo Goerner, Juan María Ramos Padilla e Hugo Navarro.
O contexto: O que está sendo julgado?
Para entender o caso, precisamos voltar a 12 de julho de 2018. Naquele dia, no complexo habitacional Samoré, localizado no bairro de Villa Lugano (zona sul de Buenos Aires), Álvarez e Díaz tiveram uma forte discussão. A investigação aponta que o músico atirou quatro vezes na cabeça da vítima com uma pistola calibre 6.35. Após o crime, Álvarez fugiu, mas se entregou no dia seguinte na Delegacia N° 52 de Lugano, admitindo ter sido o atirador.
A pena solicitada por homicídio agravado pelo uso de arma de fogo varia de 10 anos e oito meses a 33 anos e quatro meses de prisão. A acusação está a cargo do promotor Sandro Abraldes, enquanto a defesa oficial é de Javier Marino, e a querella (parte que representa a família da vítima em certos sistemas jurídicos da América Latina) é conduzida pelo renomado advogado Fernando Burlando.
O coelho, a camiseta e o esquecimento do DNI
Segundo meios de comunicação presentes na sala, Pity Álvarez chegou com um visual característico: chapéu preto, óculos de sol e uma camiseta com a frase "Y si esperás vas a entender" (E se você esperar, vai entender), letra de sua música "Nunca quise". Enquanto aguardava o início, pegou uma caneta Bic preta e desenhou um coelho em uma folha A4, o que gerou curiosidade pela possível relação com a temática da música "Pila Pila" de sua banda Intoxicados.
Quando autorizado a declarar, anunciou: "Vou declarar mais tarde". Ao preencher seus dados, não lembrou de seu número de DNI (Documento Nacional de Identidade, obrigatório na Argentina) e mencionou sofrer de hipertensão, diabetes e sequelas no quadril. Sobre vícios, confessou ter sido viciado em pasta base (conhecida como 'paco', uma droga barata e altamente viciante derivada da cocaína) até 1992, mas garantiu não consumir mais.
Tensão, roncos e pedido de suspensão
O defensor oficial, Javier Marino, pediu a suspensão da audiência argumentando que o músico adormeceu e começou a roncar, indicando que não estava "presente" mentalmente. No entanto, o promotor Sandro Abraldes opôs-se rotundamente: "A outra possibilidade é que o julgamento aborreça o senhor Álvarez. Dormir ou ficar entediado não autoriza a suspender o julgamento".
Abraldes lembrou que o réu esteve lúcido em shows recentes, como no estádio Kempes e na casa de shows Roxy, além de uma entrevista à revista Rolling Stone. O tribunal rejeitou o pedido da defesa com base em um informe do Corpo Médico Forense que atesta sua reserva cognitiva suficiente. Além disso, foi informado que ele havia sido absolvido por prescrição em um caso de 2016 por ameaças ao seu empresário.
Próximas audiências
Fontes judiciais indicaram que são esperadas 11 audiências entre agosto e setembro, com um total de 70 testemunhas. A próxima jornada será em quarta-feira, 12 de agosto, quando deporão 5 testemunhas, incluindo Verónica Román, que era parceira da vítima na época dos fatos.