Juan Sebastián Verón, filho mais velho de Romina Calvo, falou um dia após o feminicídio em Villa Devoto. Ele relatou que sua irmã de 8 anos viu tudo e está em choque, enquanto seu pai, o suposto assassino, segue internado em estado grave. A investigação também apura o papel de Pitty La Numeróloga.

O relato do filho mais velho

O filho mais velho de Romina María de los Ángeles Calvo (40), Juan Sebastián Verón, quebrou o silêncio nesta sexta-feira (14 de agosto) no programa DDM da América TV. O jovem, que já prestou depoimento à Justiça, contou como soube do crime que chocou Villa Devoto, um bairro residencial da capital argentina, Buenos Aires. Ele relatou que foi seu irmão quem o chamou por volta das 7h da manhã de quinta-feira (13): 'Aí eu ouvi minha irmãzinha de 8 anos dizer o que tinha acontecido'.

A menina presenciou o ataque de seu pai, Walter Humberto Verón (57), contra sua mãe no quarto que dividiam. Segundo a reconstrução das câmeras de segurança, o homem saiu para trabalhar, mas voltou poucos minutos depois com uma faca, discutiu com Calvo no corredor e a atacou diante da menina. A criança correu para pedir ajuda e foi ela quem acordou o irmão mais velho.

'Ela chegou a falar quando eu cheguei à cena'

Juan Sebastián contou que encontrou a irmã chorando e em estado de choque: 'Ficamos um bom tempo falando com ela porque estava em choque. Ela está mais tranquila na casa do meu tio, está com outras meninas, conseguiu dormir, mas continua em choque'. Ele disse que sua principal preocupação é proteger os irmãos e que recebam ajuda psicológica: 'Que façam um luto e que sigam em frente'.

O estado do feminicida e a carta

O jovem também falou sobre a saúde do pai, que tentou suicídio após o ataque e está internado no Hospital Vélez Sarsfield, entubado e em terapia intensiva. 'Os médicos não acham que ele passe muitos dias', afirmou. Sobre a carta que Verón deixou antes do crime, disse que foi mal interpretada: 'Não é que ela estava saindo economicamente, é que os dois estavam tentando sair com nós três'. E confessou: 'Me causou tristeza ler a carta, o que interpretei é um homem que chegou ao seu limite'.

A carta, encontrada com o feminicida, menciona Pitty La Numeróloga (Verónica Asad), empresária dona de lojas de velas e essências onde Romina trabalhava. No texto, Verón a acusa de ter mudado a personalidade de sua parceira. Na casa também foi encontrado um altar com velas e fotos dedicado a Asad, que já foi absolvida em um processo por fraude, mas agora é investigada por sua possível ligação com o caso.

A mensagem de Pitty La Numeróloga

Horas após o crime, Asad publicou no Instagram uma mensagem emocionada para Romina: 'Desejo que sua alma encontre a paz que lhe tiraram'. Ela afirmou que Romina era 'uma mulher que trabalhava comigo' e destacou que 'sua vida foi tirada por quem dizia amá-la'. Também pediu que mulheres que sofrem violência busquem ajuda e ressaltou que 'uma mulher ter sido assassinada diante de sua filha' é o mais trágico.

Antecedentes e dívidas

A Justiça confirmou que Verón já tinha uma condenação em 2018 por lesões leves contra Calvo, após uma agressão em 2017 em La Tablada. Além disso, a vítima tinha uma dívida de 44 milhões de pesos argentinos, segundo o Infobae, dado que também foi incorporado ao processo. O juiz Darío Bonanno, responsável pelo Juizado nº 62, aguarda o resultado da autópsia, que revelou pelo menos 40 facadas no corpo de Romina.

A filha de 8 anos passará por uma câmara de Gesell para depor, enquanto a família tenta superar a tragédia. O feminicídio de Villa Devoto reabre o debate sobre violência de gênero e a importância da rede de apoio.