O senador provincial Diego Valenzuela apresentou nesta sexta-feira uma plataforma digital que compara a pressão fiscal dos distritos bonaerenses. San Pedro, Tres de Febrero e Chivilcoy são os que menos taxas cobram, enquanto Hurlingham, Lanús e Marcos Paz lideram o extremo vermelho. Patricia Bullrich acompanhou o lançamento.

A discussão sobre o nível de impostos municipais na província de Buenos Aires ganhou um novo capítulo com uma ferramenta digital que promete revelar quem cobra mais e quem cobra menos. O senador provincial e economista Diego Valenzuela (partido La Libertad Avanza) apresentou nesta sexta-feira, 14 de agosto de 2026, o “Sinal Fiscal”, uma plataforma que classifica os distritos bonaerenses de acordo com sua pressão tributária, o tamanho do Estado, a infraestrutura e o emprego.

O que é o Sinal Fiscal?

Trata-se de um site (menosimpuestos.com.ar) desenvolvido ao longo de um ano com economistas e tributaristas. Utiliza um sistema de cores — verde, amarelo e vermelho — para ordenar os resultados e permite consultar os dados de cada distrito e fazer comparações diretas.

O projeto, batizado “Menos impostos, mais trabalho”, foi apresentado no Auditório da Torre Macro diante de empresários, funcionários e especialistas, com a presença da senadora nacional Patricia Bullrich, que inaugurou o evento.

“Esta iniciativa foi desenhada para que comerciantes, empresários e moradores saibam onde o bolso é cuidado e onde não é conveniente investir ou gerar emprego.”

Diego Valenzuela

Dado-chave

O índice é calculado com a média das alíquotas de 5 atividades (banco varejista, hipermercados, indústria, comércio varejista e atacadista). Somam-se ajustes de +0,14 se o município cobra Taxa Viária ou de Habilitação.

O ranking da pressão fiscal: de San Pedro a Hurlingham

A ferramenta calcula a pressão fiscal municipal a partir da média das alíquotas nominais correspondentes a cinco atividades: banco varejista, hipermercados, indústria, comércio varejista e comércio atacadista. O cálculo incorpora ainda ajustes relacionados à Taxa Viária e à cobrança por habilitações.

Zona Município Pressão fiscal
Verde San Pedro 0,52%
Verde Tres de Febrero 0,55%
Verde Chivilcoy 0,75%
Próximo ao verde Florencio Varela 1,28%
Próximo ao verde Junín 1,29%
Próximo ao verde General Rodríguez 1,30%
Amarelo Tigre 1,63%
Amarelo Coronel Rosales 1,67%
Amarelo La Costa 1,74%
Vermelho Hurlingham 3,16%
Vermelho Lanús 3,06%
Vermelho Marcos Paz 2,88%

Fonte: Sinal Fiscal. Os três municípios na zona vermelha cobram a Taxa Viária e apresentam todas as alíquotas acima de 1%.

Infraestrutura: o outro extremo

O indicador de cobertura de serviços (água, gás e esgoto) mostra outra lacuna. Vicente López lidera com 92,46% de cobertura, seguido por Tres de Febrero (90,02%) e San Isidro (89,36%). No extremo oposto, José C. Paz mal alcança 19%, segundo dados do Censo 2022.

Gasto salarial municipal

A plataforma também avalia o peso dos salários nos orçamentos locais. San Nicolás tem o menor percentual (15,27%), enquanto Coronel Rosales chega a 74,03%. Tres de Febrero registra 27% e Morón alcança 60%.

O apoio de Bullrich e o contexto político

A apresentação ocorreu em um contexto de forte disputa entre o governo nacional e os municípios pela pressão tributária. Valenzuela afirmou que apresentou o projeto ao presidente Javier Milei, que mostrou “muito entusiasmo e interesse”. Dias antes, também o compartilhou com o ministro da Economia, Luis Caputo, que respondeu nas redes sociais: “Excelente iniciativa”.

Por sua vez, Patricia Bullrich aproveitou a ocasião para marcar diferenças ideológicas: “Este sinal nos mostra dois modelos de Estado: um que vive de cobrar cada vez mais taxas, e o outro que entende que o Estado deve tentar se afastar o máximo possível e não obstaculizar”. E acrescentou: “Esta ideia é o método Valenzuela, que é o que está sendo feito em nível nacional com o presidente Milei”.

A iniciativa soma-se a outras ferramentas oficiais, como o Portal de Transparência Tributária Municipal e o Mapa Tributário Municipal, lançados pelo Ministério da Economia em dezembro passado. A disputa pelas taxas já chegou à Justiça em vários distritos, em um cenário em que os municípios enfrentam menores transferências de fundos nacionais e buscam reforçar seus próprios recursos.