O presidente Javier Milei chega nesta sexta-feira a Rosário para o ato pelos 142 anos da Bolsa de Comércio. Com a economia mostrando sinais mistos (EMAE em alta, mas risco-país em máximos de 3 meses), o mandatário enfrentará também uma marcha de sindicatos que o declararam 'persona non grata'.

Milei retorna a Rosário para o aniversário da Bolsa de Comércio

O presidente Javier Milei participará nesta sexta-feira, 21 de agosto de 2026, do ato central pelos 142 anos da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), em sua terceira visita consecutiva à entidade desde que assumiu a Presidência. A chegada está prevista para as 19h no Aeroporto Internacional de Rosário, de onde seguirá de helicóptero até a helipista da Prefeitura Naval e depois em veículo oficial até a sede da Bolsa.

O encontro reunirá autoridades, empresários e representantes dos setores agroexportador, financeiro e de pequenas e médias empresas. Espera-se um breve cumprimento protocolar entre Milei, o governador de Santa Fe Maximiliano Pullaro, o prefeito Pablo Javkin e o presidente da BCR, Pablo Bortolato, antes do discurso do mandatário, estimado para as 20h.

Agenda produtiva e logística

Embora não tenham sido anunciados anúncios oficiais, a jornada terá como eixo central o desenvolvimento produtivo da região. A infraestrutura ferroviária ocupará lugar de destaque, especialmente pelo processo de concessão das linhas Belgrano Cargas, San Martín e Urquiza, lançado recentemente pelo Ministério da Economia. Um consórcio de agroexportadoras ligadas à Bolsa mantém interesse em participar.

Também será abordada a infraestrutura viária e portuária, fundamental para reduzir custos logísticos. Sobre as retenções, Bortolato afirmou que a entidade mantém seu histórico pedido de eliminação, mas reconheceu que 'neste momento não estariam dadas as condições para que caiam agora'.

Contexto econômico: luzes e sombras

Milei chega com dados que o oficialismo celebra: o EMAE de junho cresceu 0,8% mensal (superando o 0,3% esperado) e 2,7% interanual, com o primeiro semestre acumulando +1,9%. As reservas brutas alcançaram US$ 50.342 milhões, máximo em sete anos, e o superávit comercial de julho foi de US$ 2.115 milhões.

No entanto, o risco-país subiu para 532 pontos, máximo em três meses, acumulando alta de 21% em agosto. A inadimplência em eletrodomésticos gira em torno de 50% (Frávega 39%, Megatone 43%, Cetrogar 48%, Coppel 70%), e as taxas de juros de curto prazo subiram para 26-28% ao ano. A indústria manufatureira caiu 1,9% no semestre.

Mobilização contra a visita

Paralelamente, a Multisetorial (CGT Rosário, CATT, CCC e outras organizações) declarou Milei 'persona non grata' e convocou uma marcha a partir das 17h30 na Praça Sarmiento para repudiar sua presença. A medida reflete o mal-estar social pelo endividamento das famílias e a queda do consumo.

O presidente, que na quinta-feira fez um duro discurso no Council of the Americas, buscará em Rosário reforçar seu relato econômico. Espera-se que mencione a desaceleração inflacionária (atacado 0,8% em julho) e o crescimento da atividade, embora os sindicatos e setores produtivos reivindiquem medidas concretas para aliviar a pressão sobre famílias e pequenas empresas.

Fonte: imago.com.ar