Um novo estudo norueguês publicado no Journal of the American Heart Association revela que qualquer nível de exercício, mesmo mínimo, reduz o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e mortalidade, especialmente em pessoas com fibrilação atrial. Os benefícios foram observados em todos os grupos, com redução de até 22% na mortalidade por qualquer causa.

A fibrilação atrial (FA) é o distúrbio do ritmo cardíaco mais comum e um importante fator de risco para o acidente vascular cerebral (AVC). Mas um novo estudo publicado no Journal of the American Heart Association traz uma mensagem animadora: praticar exercícios, mesmo em doses mínimas, está associado a uma redução significativa do risco de AVC e de mortalidade, tanto em pessoas com FA quanto sem ela.

O que o estudo descobriu?

Pesquisadores noruegueses analisaram dados de 87.340 adultos entre 30 e 99 anos, dos quais 6.539 tinham fibrilação atrial. Durante um acompanhamento médio de 13,5 anos, foram registrados os casos de AVC e mortes através dos registros nacionais de saúde.

Os participantes foram divididos em quatro grupos conforme o nível de atividade física autorrelatada: inativos, atividade baixa, atividade moderada e atividade alta.

  • Moderado: pelo menos 30 minutos de exercício moderado quase todos os dias.
  • Baixo: menos de 15 minutos diários de exercício moderado.
  • Alto: pelo menos 30 minutos de exercício vigoroso quase diariamente.

Principais resultados

Os resultados mostraram que, em comparação com os inativos:

  • A atividade moderada ou alta foi associada a um risco de AVC ~20% menor.
  • Mesmo uma atividade mínima (baixa) reduziu o risco de AVC em 9%.
  • A mortalidade por qualquer causa foi 11% menor no grupo de baixa atividade, 18% menor no grupo moderado e 22% menor no grupo de alta atividade.

Esses benefícios foram semelhantes em pessoas com e sem FA, e em pacientes com FA, a atividade física regular foi associada a uma expectativa de vida 6 a 14 meses maior em média.

Contexto e relevância

A fibrilação atrial afeta milhões de pessoas no mundo e aumenta em até cinco vezes o risco de AVC. Esse estudo, revisado pelo Dr. Robert H. Shmerling da Harvard Health Publishing, ressalta que “qualquer quantidade de exercício é melhor que nada”, e que mesmo pequenos aumentos na atividade diária podem fazer uma diferença significativa na saúde cardiovascular.

Os autores concluem que promover a atividade física, mesmo em doses mínimas, pode ser uma estratégia essencial para prevenir AVC e melhorar a sobrevivência em pessoas com FA, uma população que muitas vezes evita exercícios por medo de complicações.

“O exercício regular deve ser recomendado como parte integral do manejo da fibrilação atrial, sempre sob supervisão médica”, destacam os pesquisadores.

Dados de referência

Grupo de atividadeRedução do risco de AVCRedução da mortalidade
Baixa9%11%
Moderada~20% (grupo combinado moderado/alto)18%
Alta~20% (grupo combinado moderado/alto)22%