ÚLTIMAS
Risco país argentino se aproxima dos 450 pontos, mas apoio do FMI anima o futuro Escolas dos EUA adotam drones com gás de pimenta para conter tiroteios em 15 segundos Eleições no Brasil: Lula lidera apostas, mas Bolsonaro aperta nas pesquisas Horror na França: cinco corpos de bebês encontrados em caixas de papelão Choque na Bósnia: Santuário mariano de Medjugorje é profanado dias antes de grande festival Calendário de pagamento de julho 2026: datas para servidores públicos em várias províncias argentinas Rosario será a capital da inovação agrícola com BCR Agtech Forum e Aapresid 2026 Milei x Lula: Governo argentino minimiza crise e PT investiga viagem a São Paulo Confiança no Governo Milei despenca: núcleo duro se desfaz e urgência por reativação econômica Georgieva visita Vaca Muerta e sugere dólar mais alto em jantar com empresários argentinos Risco país argentino se aproxima dos 450 pontos, mas apoio do FMI anima o futuro Escolas dos EUA adotam drones com gás de pimenta para conter tiroteios em 15 segundos Eleições no Brasil: Lula lidera apostas, mas Bolsonaro aperta nas pesquisas Horror na França: cinco corpos de bebês encontrados em caixas de papelão Choque na Bósnia: Santuário mariano de Medjugorje é profanado dias antes de grande festival Calendário de pagamento de julho 2026: datas para servidores públicos em várias províncias argentinas Rosario será a capital da inovação agrícola com BCR Agtech Forum e Aapresid 2026 Milei x Lula: Governo argentino minimiza crise e PT investiga viagem a São Paulo Confiança no Governo Milei despenca: núcleo duro se desfaz e urgência por reativação econômica Georgieva visita Vaca Muerta e sugere dólar mais alto em jantar com empresários argentinos
Español English 中文 Português Français Italiano Deutsch العربية Русский اردو

Massacre de Avellaneda: 24 anos de um crime de Estado na Argentina

27/06/2026 03:49 - Sociales

O contexto: Uma Argentina em colapso

Para entender a Massacre de Avellaneda, é preciso conhecer a terrível crise que a Argentina viveu em 2001-2002. O país havia declarado o calote da dívida externa (o maior da história até então), o sistema bancário congelou as poupanças dos cidadãos e cinco presidentes se sucederam em apenas duas semanas. A taxa de desemprego superava os 20%.

Nesse cenário, o presidente interino Eduardo Duhalde (um político tradicional do Partido Justicialista) governava um país em ebulição social. O 26 de junho de 2002, diversas organizações sociais e de desempregados (conhecidas como piqueteros - movimento social que bloqueia estradas como forma de protesto) marcharam em direção a Buenos Aires para reivindicar trabalho e alimentos.

Para o leitor estrangeiro: Os piqueteros eram trabalhadores desempregados que se organizavam para pedir ajuda governamental. O termo vem de "piquete" (bloqueio de estradas). A Polícia Bonaerense é a força policial da província de Buenos Aires (distinta da polícia federal).

Maximiliano Kosteki

Tinha 22 anos. Trabalhava em uma padaria e participava de organizações sociais. Foi atingido por um tiro pelas costas enquanto corria em busca de refúgio no hall da Estação Avellaneda. Morreu instantaneamente.

Darío Santillán

Tinha 21 anos. Era militante de organizações sociais. Ao ver seu companheiro caído, ficou para ajudá-lo. Foi executado a sangue frio pelas costas pelo comissário Alfredo Franchiotti, enquanto tentava proteger Kosteki. Sua morte foi capturada pelas câmeras dos fotojornalistas.

A mentira oficial e as fotos que mudaram tudo

Imediatamente após os assassinatos, o governo orquestrou uma versão falsa: "os manifestantes se mataram entre eles". O chefe de Gabinete, Aníbal Fernández, falou de um suposto "complô armado". O governador Felipe Solá chegou a felicitar os policiais envolvidos.

"Isso é um confronto entre pobres contra pobres, fique tranquila", disse Solá a Nora Cortiñas (mãe de um desaparecido durante a ditadura militar) naquele mesmo dia.

Porém, a mentira durou menos de 24 horas. O trabalho corajoso de dois fotojornalistas foi decisivo:

  • Pepe Mateos (do jornal Clarín)
  • Sergio Kowalewski (do jornal Página/12)

As imagens mostraram claramente Franchiotti e o cabo Alejandro Acosta disparando à queima-roupa e recolhendo os cartuchos vermelhos (munição de chumbo, proibida para controle de multidões) para simular um confronto que nunca existiu.

Justiça e Memória: O legado

A justiça demorou, mas chegou. Em 9 de janeiro de 2006, o Tribunal Oral N° 7 de Lomas de Zamora condenou Alfredo Franchiotti e Alejandro Acosta a prisão perpétua por homicídio duplo e sete tentativas de homicídio. Outros agentes receberam condenas menores por encobrimento.

Alfredo Franchiotti

Cumpre sua condenação efetiva. A justiça negou repetidamente sua liberdade condicional.

Alejandro Acosta

Obteve liberdade condicional em outubro de 2024, após cumprir 20 anos de prisão.

Um memorial vivo

Aos 24 anos da massacre, a ex-Estação Avellaneda do Ferrocarril Rocha hoje leva o nome de "Maximiliano Kosteki e Darío Santillán". Toda year, em 26 de junho, organizações sociais, familiares e militantes realizam atos de memória neste local, lembrando que ninguém foi esquecido.

Este episódio marca um ponto de inflexão na história argentina: foi o último grande massacre estatal antes de uma década de maior respeito aos direitos humanos, e demonstrou o poder do jornalismo e da memória coletiva para confrontar a impunidade.

Fonte: Infobae

Notícias de Hoje
A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga