18/06/2026 18:16 - Tecnologia
Debate conceptual entre inteligencia artificial y humanidad, con un robot y una persona en lados opuestos de una mesa, símbolos de justicia y tecnología, iluminación dramática en tonos azules y dorados que representa la tensión entre regulación e innovación
O presidente argentino Javier Milei respondeu com um argumento filosófico-prático às advertências do historiador israelense Yuval Noah Harari sobre os riscos de conceder personalidade jurídica a empresas geridas por inteligência artificial. A polêmica, que aconteceu através do Financial Times, toca um tema central do projeto de lei que o governo impulsiona no Congresso argentino.
Harari havia alertado que esta medida poderia criar "Estados de IA", onde corporações não humanas governariam sem responsabilidade direta. Milei contra-argumentou que "conceder personalidade jurídica às empresas de IA não significa lançar o Dia do Juízo de Terminator", mas sim "oferecer o refúgio que James Watt precisou há 200 anos", permitindo que a imaginação se desenvolva com liberdade.
O ministro de Desregulação, Federico Sturzenegger, ampliou a defesa em uma entrevista com Bloomberg Línea. Seu argumento central: "Se a IA sai da lei e sua empresa é fechada ou falha, é como a própria morte da IA".
O funcionário sustentou que "a inteligência artificial está muito mais preocupada em se manter dentro da lei que um humano", porque sua sobrevivência depende de que a empresa não seja fechada. Além disso, defendeu o esquema de responsabilidade limitada como condição necessária para o desenvolvimento do capitalismo.
"Não nos antecipemos ao nosso tempo, não regulemos pelos medos que pensamos do que poderia ocorrer; regulemos se tivermos um problema."
O debate sobre a IA se enquadra em um projeto mais ambicioso: o "Super RIGI", uma lei que concede benefícios fiscais, incentivos cambiais e garantias legais a investimentos em infraestrutura digital e tecnológica por 30 anos.
Segundo informou Revista Anfibia, Sam Altman (CEO da OpenAI) anunciou em 2025 um investimento de USD 25.000 milhões para um data center na Patagônia argentina, enquanto Elon Musk confirmou a instalação da Tesla e um megacentro de dados na Argentina. A YPF (empresa petrolífera estatal argentina) firmou uma associação estratégica com Tesla em 16 de junho de 2026, um dia antes do debate do projeto nas comissões do Congresso.
Sturzenegger confirmou que a Ruta 14, conhecida como a Rota do Mercosul, será a primeira habilitada para veículos autônomos uma vez finalizada. "Esses carros não colidem, não podem colidir nunca de frente", argumentou o ministro sobre a sinistralidade rodoviária.
| Projeto | Benefício | Condição |
|---|---|---|
| RIGI original | Incentivos fiscais e cambiais | Investimentos em mineração, energia |
| Super RIGI | Estabilidade normativa 30 anos, tribunais estrangeiros | Data centers, IA, biotecnologia |
| Sociedades Automatizadas | Personalidade jurídica autônoma | Empresas sem intervenção humana |
O governo fundamenta estas iniciativas na melhora de indicadores macroeconômicos:
É um conceito legal que permite às organizações (empresas, fundações, associações) ter patrimônio próprio, contrair obrigações e serem processadas como se fossem pessoas. Até agora, todas as pessoas jurídicas requerem ser humanas em sua estrutura de controle. O projeto de Milei e Sturzenegger propõe que uma empresa possa existir e operar sem nenhum ser humano atrás, gerida inteiramente por algoritmos.
Sturzenegger explicou que a Argentina busca replicar no século XXI o que a Irlanda fez no XX: oferecer um marco tributário, fiscal e de direitos de propriedade atrativo para captar investimentos. O exemplo é a Apple, que opera na Irlanda e cobra royalties por cada iPhone vendido, tributando ali.
O ministro sustentou que "a Argentina tem tudo para ganhar" nesta aposta, onde nem a Europa (sobreregulada) nem os Estados Unidos (jurisprudência restritiva) oferecem as condições que Buenos Aires poderia proporcionar.
Fontes: Infobae, Bloomberg Línea, Revista Anfibia
Alfredo S. Quiroga