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Câncer de rim: tumor silencioso pode aumentar 50% na Argentina em duas décadas

20/06/2026 04:48 - Salud

Ilustración médica profesional de riñones con representación de células cancerígenas en tonos cálidos, con médico consultando imágenes diagnósticas en segundo plano, estilo educativo y esperanzador

O câncer de rim representa um dos desafios mais importantes para a saúde pública na Argentina. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, essa doença causa mais de 2.500 mortes anuais no país, e as projeções indicam que esse número pode aumentar significativamente nas próximas décadas se não for detectado a tempo.

Um cenário preocupante para a Argentina

As estimativas do GLOBOCAN/Cancer Tomorrow para 2025 colocam a Argentina em terceiro lugar na América Latina e Caribe em quantidade de mortes por câncer de rim. O impacto local é desproporcional: enquanto na região esse tumor ocupa a 16ª posição entre as causas de morte por câncer, na Argentina sobe para o décimo lugar, sendo também o sétimo câncer mais frequente em incidência.

Para contextualizar: a Argentina é o terceiro maior país da América do Sul em população, com aproximadamente 46 milhões de habitantes, e possui um sistema de saúde misto com cobertura tanto pública quanto privada.

Projeções alarmantes:
  • Para 2030: mais de 2.800 mortes anuais
  • Para 2050: 4.285 mortes por ano
  • Aumento projetado: 50% em duas décadas

Por que quase sempre é detectado "por acaso"?

O grande desafio do câncer renal é que raramente apresenta sintomas em suas fases iniciais. Devido à localização dos rins no abdômen, os tumores pequenos geralmente não são detectados durante um exame físico comum. Por esse motivo, muitos diagnósticos são realizados de forma incidental: durante ecografias, tomografias ou ressonâncias solicitadas por outros motivos médicos.

A Sociedade Americana do Câncer destaca essa característica como o principal obstáculo para uma abordagem precoce da doença.

Os homens: um grupo de maior risco

As estatísticas oficiais mostram um impacto desigual: quase 7 de cada 10 diagnósticos correspondem a homens. Dos 4.908 novos casos anuais estimados na Argentina, 3.409 ocorrem na população masculina. Para os homens, o câncer de rim já é o quarto tumor mais frequente, atrás do câncer de próstata, colorretal e de pulmão.

Fatores de risco que não se devem ignorar

A origem do câncer de rim está ligada a alterações no material genético das células renais. Embora existam casos hereditários, a maioria são alterações adquiridas ao longo da vida. Os principais fatores de risco são:

  • Tabagismo: aumenta o risco em 50% em homens e 20% em mulheres
  • Obesidade e excesso de peso
  • Hipertensão arterial
  • Doença renal crônica
  • Antecedentes familiares de câncer de rim
  • Exposição a substâncias químicas como o cádmio

A doutora Gabriela Bugarin, diretora médica de Oncologia, explicou que muitas dessas condições podem ser modificadas por meio de hábitos saudáveis: "Parar de fumar, realizar atividade física regularmente, manter uma alimentação equilibrada, controlar a pressão arterial e evitar a exposição a substâncias químicas são algumas das medidas que ajudam a reduzir o risco".

Sintomas de alerta: quando consultar

A doutora Andrea Marchioni, coordenadora do Instituto de Oncologia do Hospital Alemán (um dos hospitais mais prestigiosos de Buenos Aires), detalhou os sinais que requerem atenção médica:

SintomaDescrição
Sangue na urinaO sinal mais importante. Sempre requer consulta médica
Dor lombar persistenteNas costas ou no lado
Massa palpávelAparição de um caroço na zona abdominal
Perda de peso involuntáriaSem causa aparente, acompanhada de falta de apetite
Fadiga e anemiaCansaço constante sem explicação clara
Febre prolongadaSem causa identificável

Marchioni enfatiza: "Como vários desses sintomas podem ser confundidos com quadros frequentes ou atribuídos ao cansaço, dores musculares ou desconfortos passageiros, a mensagem central é que devemos consultar quando um sintoma persiste, se repete ou aparece sem explicação clara".

A diferença que faz o diagnóstico precoce

As diferenças na sobrevida de acordo com o momento do diagnóstico são contundentes. O tratamento depende do tamanho do tumor, do estágio da doença e do estado geral de saúde do paciente. Quando o câncer permanece localizado, a cirurgia costuma ser a principal estratégia. Também podem ser indicadas técnicas como ablação, radioterapia ou vigilância ativa.

Se a doença se espalhou para fora do rim, as opções incluem imunoterapia, terapias direcionadas e, em casos específicos, quimioterapia.

Sobrevida em 5 anos segundo estágio

93% - Câncer localizado no rim

75% - Extensão a tecidos próximos ou gânglios

18% - Metástase em órgãos distantes

Recomendações para prevenir o câncer de rim
  • Não fumar ou abandonar o cigarro
  • Manter um peso saudável
  • Praticar atividade física regularmente
  • Consumir uma alimentação rica em frutas e verduras
  • Controlar a pressão arterial
  • Consultar periodicamente o médico, especialmente com antecedentes familiares
  • Não ignorar sintomas urinários ou dores persistentes na zona lombar

No âmbito do Dia Mundial do Câncer Renal, os especialistas lembram que conhecer os fatores de risco, manter hábitos saudáveis e realizar ex médicos pode fazer uma diferença decisiva. Detectar a doença a tempo não só melhora as opções de tratamento, como aumenta significativamente as possibilidades de cura.


Fontes: Organização Mundial da Saúde, GLOBOCAN/Cancer Tomorrow, Sociedade Americana do Câncer, Instituto de Oncologia do Hospital Alemán.

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga