23/06/2026 10:16 - Judiciales
O Tribunal Oral Federal de Comodoro Rivadavia (cidade portuária na Patagônia argentina) continua ouvindo as alegações finais da promotoria no julgamento pelo naufrágio do submarino ARA San Juan, ocorrido em 15 de novembro de 2017. O Ministério Público Fiscal solicitou penas de até 5 anos de prisão para os acusados, todos oficiais da Marinha Argentina.
Para nossos leitores estrangeiros: o ARA San Juan era um submarino de ataque da classe TR-1700, fabricado na Alemanha e incorporado à Marinha Argentina em 1985. Era um dos dois submarinos convencionais (diesel-elétricos) mais modernos da frota argentina. Em 15 de novembro de 2017, a embarcação desapareceu no Mar Argentino, aproximadamente a 466 quilômetros de Comodoro Rivadavia, uma cidade costeira importante no sul da Argentina.
A tripulação relatou um incêndio na seção de proa antes de perder contato definitivo. A tragédia causou a morte de 44 tripulantes, tornando-se uma das maiores catástrofes navais da história recente da Argentina.
O julgamento acontece em Comodoro Rivadavia, cidade portuária na província de Chubut, sul da Argentina. A promotoria começou a apresentar seus argumentos finais após anos de investigação e múltiplos adiamentos.
Os acusados enfrentam acusações relacionadas ao incumprimento de deveres de funcionário público e possíveis negligências na operação do submarino. As alegações finais representam uma etapa crucial, onde são detalhadas as provas acumuladas e fundamentadas as acusações.
Contexto para estrangeiros: na Argentina, os juízos orais federais são instâncias onde tribunal de três juízes julgam crimes federais. O promotor (fiscal) representa o Estado e a sociedade, solicitando penas para os acusados.
As alegações finais (em espanhol: alegato) são a exposição que a promotoria e a defesa fazem ao final do julgamento, após todas as provas terem sido apresentadas. Nesta fase, o Ministério Público resume as evidências, argumenta sobre a responsabilidade dos acusados e solicita as penas. Após as alegações da promotoria, a defesa apresenta seus argumentos antes do veredicto.
Após uma busca internacional envolvendo mais de uma dezena de países, os restos do submarino foram localizados em 17 de novembro de 2018, exatamente um ano e dois dias após a tragédia. A embarcação foi encontrada a 907 metros de profundidade, apresentando deformação característica de uma implosão causada pela pressão hidrostática extrema.
O submarino apresentava uma ruptura na parte central-proa, confirmando a hipótese de implosão. Os especialistas determinaram que o naufrágio foi instantâneo, sem chances de sobrevivência para a tripulação.
A Argentina é um país sul-americano com extensas costas no Oceano Atlântico Sul. A Marinha Argentina (Armada) é uma das forças armadas do país, com presença histórica desde o século XIX. A cidade de Comodoro Rivadavia, onde ocorre o julgamento, é conhecida por ser um centro petrolífero e portuário na Patagônia argentina.
Após as alegações da promotoria, será a vez da defesa dos acusados apresentar seus argumentos. O tribunal avaliará todas as provas e alegações antes de emitir seu veredicto. A sentença definitiva poderá demorar meses, considerando a complexidade do caso e a quantidade de testemunhos e perícias envolvidas.
Os familiares das vítimas aguardam com esperança que este processo contribua para esclarecer uma das tragédias mais dolorosas da história naval argentina.
Fontes: Infobae | Tiempo Sur
Alfredo S. Quiroga