22/07/2026 19:17 - Economia
O Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (INDEC), o órgão oficial de estatísticas do país, publicou em 22 de julho de 2026 os dados do Estimador Mensual de Atividade Econômica (EMAE, um indicador que funciona como um prévia mensal do PIB) referentes a maio. O relatório revelou uma variação interanual positiva de 0,2%, demonstrando que a economia argentina continua em terreno positivo em comparação ao ano anterior.
Embora na medição dessazonalizada tenha havido uma queda de 0,5% frente a abril, o ministro da Economia, Luis Caputo, destacou em suas redes sociais que o indicador tendência-ciclo cresceu 0,2% mensalmente e acumulou 26 meses consecutivos de expansão, marcando o ciclo mais longo de crescimento desde 2011. Além disso, a atividade econômica acumulou um crescimento de 1,7% durante os primeiros cinco meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.
O desempenho positivo é explicado fundamentalmente pelo impulso de setores chave como o agro e a mineração, que mostraram uma notável recuperação dinâmica. A Argentina é uma potência agroexportadora e mineira, o que reflete diretamente em sua economia.
A soma do agro e da mineração aportou 1,2 pontos percentuais ao crescimento interanual do EMAE, compensando as dificuldades em outros ramos do mercado interno.
Por outro lado, alguns setores ligados ao consumo e à transformação industrial mostraram recuos em sua comparação interanual.
Para a segunda metade do ano, a equipe econômica liderada por Caputo aponta para que o setor da construção seja o motor da reativação. As iniciativas giram em torno da apresentação da Inocência Fiscal (um programa de anistia ou regularização tributária para que argentinos declarem bens não declarados) e da concessão de 9.000 quilômetros de rodovias nacionais à iniciativa privada.
Além disso, estão sendo avaliadas alternativas para incentivar o crédito imobiliário, tanto em pesos quanto em dólares. Entre as propostas destaca-se a venda de ações do Fundo de Garantias de Sustentabilidade (FGS), um fundo de reserva do sistema previdenciário argentino, e a reestruturação dos Fundos de Assistência Laboral (FAL). Estima-se que essas medidas poderiam injetar entre USD 15.000 milhões e USD 20.000 milhões no mercado imobiliário, facilitando o acesso à moradia para a classe média.
Consultorias e economistas apontam que o dado de maio veio ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, que previa um rebote impulsionado pela colheita. Gonzalo Carrera, da consultoria Equilibra, assinalou que a recuperação da construção e o crescimento contínuo da energia e mineração não foram suficientes para compensar o mau desempenho da indústria e do comércio na medição mensal.
No entanto, Federico Filippini, da Adcap Grupo Financeiro, ressaltou que a debilidade da atividade interna está sendo compensada por um sólido desempenho da frente externa. A principal incógnita para os analistas será se as políticas implementadas conseguirão consolidar uma recuperação robusta de cara a 2027, aproveitando a estabilidade cambial e a baixa inflação para reativar o consumo e o mercado de trabalho.
Alfredo S. Quiroga