14/06/2026 09:47 - Entretenimiento
Estudio de televisión con micrófono sobre mesa, cámaras y luces profesionales en segundo plano, ambiente serio de programa periodístico
María Julia Oliván surpreendeu ao fazer uma forte denúncia contra Mario Pergolini durante uma comunicação ao vivo com o programa SQP (América TV). A jornalista relatou que foi vítima de assédio sexual enquanto trabalhava na produtora Cuatro Cabezas entre 2004 e 2007, especificamente em 2005.
"Fiz o comentário não por como eu falava há 20 anos nos meios, mas por uma experiência pessoal que tive trabalhando em Cuatro Cabezas em 2005, em seu escritório, uma situação bastante desagradável de assédio sexual. Naquele momento ninguém denunciava esses casos"— María Julia Oliván
Cuatro Cabezas é uma das produtoras mais importantes da Argentina, fundada por Mario Pergolini. Ela produziu programas icônicos como Caiga Quien Caiga (similar ao "Pânico na TV" brasileiro). América TV é um dos principais canais de televisão aberta da Argentina.
A revelação surgiu após as declarações de Pergolini sobre o movimento Ni Una Menos em seu programa Otro Día Perdido (El Trece), o que motivou Oliván a se pronunciar em seu ciclo de streaming Qué Miedo (Border Periodismo).
É um movimento feminista argentino que luta contra a violência de gênero e os feminicídios. Surgiu em 2015 e se tornou uma referência em toda a América Latina. No Brasil, há movimentos similares como o "Não é não" e as manifestações contra o feminicídio.
Segundo detalhou Oliván, o episódio ocorreu quando estavam os dois sozinhos no mesmo escritório. Naquele momento, a jornalista tinha 30 anos, estava comprando seu primeiro apartamento e estava endividada.
A jornalista contou que após uma viagem de trabalho à Espanha, ao retornar foi demitida da produtora. "Me mandaram para a Espanha para trabalhar imediatamente, voltei e me demitiram de Cuatro Cabezas", apontou.
Oliván destacou que Pergolini "jamais quis ter uma secretária mulher; não gostava de trabalhar com mulheres", embora tenha esclarecido que isso não é algo que ela julgue.
"Este sofrimento me fez criar o Border. Me fortaleceu e então eu disse: 'Já está'", expressou sobre como superou a situação.
Oliván relatou que nunca falaram sobre o tema, apesar de coincidir em diversas oportunidades:
Jorge Lanata é um dos jornalistas mais influentes da Argentina, similar ao que foi o jornalista Pedro Bial no Brasil em termos de relevância na televisão. Seus programas sempre tiveram grande audiência.
A jornalista reconheceu: "Me escapou no meu streaming. Eu poderia ter denunciado quando se começou a estilar denunciar... O foco da minha carreira é outro".
Em sua declaração, a jornalista também revelou que sofreu assédio por parte de dois ex-ministros:
| Ex-funcionário | Reação |
|---|---|
| Juanjo Domínguez | Lhe pediu perdão |
| Aníbal Fernández | Nunca lhe pediu desculpas |
Aníbal Fernández foi um político muito influente na Argentina, ocupando cargos como Chefe de Gabinete e Ministro da Segurança durante os governos kirchneristas (2003-2015). Juanjo Domínguez também foi uma figura relevante na política argentina. Ambos são nomes conhecidos no cenário político sul-americano.
Ambos os episódios foram mencionados por Oliván como situações de assédio que atravessou durante sua carreira jornalística.
Mario Pergolini ainda não se pronunciou publicamente sobre a acusação. A denúncia se produz em um contexto de maior visibilidade e sensibilidade diante de situações de assédio no âmbito laboral e midiático, ao contrário do que acontecia há duas décadas quando, segundo Oliván, "ninguém denunciava esses casos".
Alfredo S. Quiroga
Conspiraciones