14/06/2026 09:59 - Salud
Cerebro humano estilizado con neuronas y conexiones de dopamina representadas con luz cálida, figura humana silueta mostrando contraste entre movimiento fluido y rigidez, ambiente médico profesional con tonos esperanzadores.
Quando o diagnóstico de doença de Parkinson chega, apresenta-se como uma notícia inesperada que fratura a identidade de quem a recebe. O sintoma que imediatamente vem à mente da maioria é a imagem de uma mão que treme. No entanto, quem atravessa essa condição e seus acompanhantes sabem que por trás desse sinal motor se esconde uma complexa reconfiguração psicológica e cognitiva.
O Parkinson é uma doença neurodegenerativa que afeta principalmente a produção de dopamina, um neurotransmissor chave não só para o movimento, mas também para o circuito do prazer e da motivação.
O que o paciente experimenta e expressa ao seu entorno é a perda. Perda do controle, da espontaneidade, da autonomia. Os pequenos atos cotidianos começam a ter maior dificuldade: abotoar a camisa, escrever no computador ou assinar algum documento se converte em uma luta contra seu próprio sistema nervoso.
Esta nova cotidianidade leva a uma mudança na percepção da autoimagem. A pessoa afetada já não se reconhece nesse corpo que não responde com a velocidade e praticidade que tinha antes do diagnóstico, explicou o psicólogo Alexis Alderete (MP 85367), especialista em Transtornos de Ansiedade e Treinamento em Habilidades.
Diante dos outros, há um sintoma característico que gera confusões constantes: a hipomimia ou "rosto de máscara". "A perda da expressividade facial faz com que o entorno interprete erroneamente que o paciente está bravo, distante ou desinteressado, quando o que está vivenciando é uma rigidez muscular que impede que as emoções se reflitam no rosto", acrescentou Alderete.
Este fenômeno pode afetar significativamente as relações interpessoais, já que familiares, amigos e colegas de trabalho podem interpretar erroneamente a falta de expressividade facial como desinteresse ou frialdade emocional.
O tratamento do paciente nunca pode ser exclusivamente neurológico; requer uma abordagem interdisciplinar onde a psicoterapia seja um pilar fundamental.
"Se percorre sofrimento diante da perda de interesse, iniciativa, e o começo de reações lentas em todos os âmbitos. Levar adiante um novo desenho para o projeto de vida do paciente, oferecer ferramentas de enfrentamento e, fundamentalmente, acompanhar a família para evitar o colapso do cuidador", explica o especialista.
O conceito de "colapso do cuidador" é fundamental: os familiares que acompanham pacientes com Parkinson também precisam de apoio psicológico para sustentar seu papel de cuidado sem se esgotar física e emocionalmente.
Para atenuar o avanço da doença, manter um propósito de vida ativo — seja criar, ensinar, conectar com outros, praticar alguma arte ou simplesmente acompanhar outros — é um dos fatores protetores cognitivos mais poderosos que se conhecem frente à deterioração progressiva.
"Não porque detenha a doença, mas porque preserva o que a doença mais quer destruir: o sentido", afirmou Alderete, que também realizou o Pós-graduação em Sexologia Clínica (Sociedade Argentina de Sexualidade Humana).
O desafio é ajudar o paciente a entender que, embora o Parkinson altere a forma de percorrer os próximos anos de vida, a essência de quem é essa pessoa com sua própria história vital permanece intacta. "Trata-se de aprender a habitar o corpo desde uma nova partitura, encontrando dignidade, sentido e conexão em cada movimento possível", concluiu o especialista.
Fontes: Telefe Noticias | Diario Uno
Alfredo S. Quiroga
Conspiraciones