17/06/2026 15:31 - Economia
Gráfico financiero profesional mostrando tres planetas alineándose simbolizando las tres dimensiones económicas (inflación, cuentas externas, crecimiento), con colores verde para los dos avances y naranja para el pendiente, estilo corporate moderno con elementos bancarios
O Bank of America (BofA), um dos principais bancos de investimento do mundo, enviou um sinal claro ao Governo argentino: a oportunidade de colocar títulos nos mercados internacionais tem um limite temporal e adiar a decisão até 2027 poderia amplificar a volatilidade durante o ciclo eleitoral.
O relatório utiliza esta metáfora astronômica para descrever a situação econômica argentina. Segundo o BofA, a Argentina exibe uma melhora forte em duas dimensões chave:
Superávit em conta corrente e acumulação de reservas internacionais. O BCRA (Banco Central da República Argentina) já acumulou USD 10.600 milhões em compras líquidas, um sinal de força na frente externa.
A inflação de maio de 2026 situou-se em 2,1%, muito abaixo do pico de março. A agência de classificação de risco S&P melhorou a nota da Argentina de CCC+ para B-, refletindo esta evolução positiva.
O PIB cresceu apenas 1,7% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, um ritmo ainda lento atribuído ao choque financeiro que precedeu as eleições de meio termo de 2025.
O ministro da Economia, Luis Caputo, priorizou fontes alternativas de financiamento como privatizações e créditos bancários. No entanto, os compromissos totais até o final de 2027 superam os US$ 35.000 milhões.
A advertência do BofA: "Acreditamos que a oportunidade de reingressar aos mercados poderia permanecer aberta até o final do ano, depois do qual a dinâmica eleitoral poderia dificultá-la. Existe o risco de que, se o Governo renunciar a gerir seus passivos este ano, poderia aumentar a volatilidade durante o ciclo eleitoral do próximo ano".
O risco país (um indicador que mede a probabilidade de inadimplência soberana, muito acompanhado pelo mercado brasileiro) encontra-se em 425 pontos básicos, o nível mais baixo desde abril de 2018, o que representa uma janela única de acesso a financiamento a menores custos.
| Indicador | Projeção BofA |
|---|---|
| Crescimento do PIB 2026 | 3,0% |
| Crescimento do PIB 2027 | 3,5% |
| Risco país atual | 425 pontos básicos (mínimo desde abril 2018) |
| Inflação maio 2026 | 2,1% |
| Reservas BCRA (compras líquidas) | USD 10.600 milhões |
O BofA mantém sua recomendação de sobreponderar os títulos argentinos em carteiras de investimento e projeta que os rendimentos poderiam continuar caindo nos próximos meses. O banco antecipa que o crescimento será liderado por setores exportadores e favorecido pela forte queda das taxas de juros.
Nota: O BofA adverte que a construção continua afetada pelo excesso de inventário habitacional.
O Bank of America reconhece os avanços significativos na frente externa e na desinflação, mas enfatiza que a atividade econômica é o elo faltante para completar um círculo virtuoso. A janela de oportunidade para emitir dívida a custos razoáveis poderia fechar se o Governo esperar demais, especialmente considerando a incerteza que gera qualquer ciclo eleitoral.
Alfredo S. Quiroga