19/06/2026 19:21 - Economia
Gráfico financiero profesional con tendencia alcista del dólar, colores institucionales azul y verde, mostrando cifras de $1.461 y $1.480, con porcentajes de subida 2,3% y 3,8%, estilo infografía económica limpia
O dólar oficial argentino alcançou nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, seu preço mais alto em cinco meses, impulsionado por uma maior demanda de empresas e pessoas físicas no contexto de pagamento do meio salário anual complementar (conhecido na Argentina como "aguinaldo"). A moeda fechou em $1.461 pesos no mercado atacadista, representando uma alta de $33 pesos ou 2,3% apenas na última semana.
No acumulado de junho, o tipo de câmbio oficial registra um aumento de 53 pesos ou 3,8%, dinâmica que supera com folga a inflação estimada para este mês (em torno de 2,1%). Esta tendência não era observada desde outubro do ano passado, segundo dados da PR Corredores de Cambio.
O dólar no mercado atacadista fechou em $1.461, seu nível mais alto desde 12 de janeiro de 2026 ($1.467,50). Na última semana subiu $33 (2,3%), revertendo a queda de $12,50 da semana anterior.
O dólar atacadista está 22,6% abaixo do teto do regime de bandas cambiais, que nesta sexta-feira se situou em $1.790 segundo dados do Banco Central da República Argentina (BCRA).
O dólar para o público no Banco Nación (o principal banco público argentino) finalizou em $1.480 para venda, sua quarta alta consecutiva. Na última semana somou $30 (2,1%), enquanto em junho acumula um aumento de $50 (3,5%).
Nas entidades financeiras, o dólar no varejo teve média de $1.481,94 para venda e $1.432,05 para compra.
O dólar blue (o câmbio informal ou paralelo na Argentina) se situou em $1.480 para venda, reduzindo $5 em relação à quinta-feira, mas acumulando alta de $50 (3,5%) no que vai de junho. A diferença entre o dólar blue e o oficial é praticamente inexistente, uma situação inédita no mercado cambial argentino.
Os contratos de dólar futuro para fechamento de junho foram negociados a $1.469,50, enquanto os de julho fecharam em $1.494,50. Estes níveis mantêm uma diferença superior a 20% em relação ao teto das bandas cambiais, refletindo expectativas de desvalorização moderadas no curto prazo.
É o câmbio regulado pelo governo argentino, utilizado para operações legais, importações, viagens ao exterior autorizadas e transações bancárias. É o mais baixo dos câmbios disponíveis.
É o câmbio paralelo ou informal, negociado em casas de câmbio não regulamentadas (conhecidas como "cuevas"). Historicamente, sempre foi mais alto que o oficial, mas atualmente estão praticamente iguais.
É um sistema em que o Banco Central estabelece um piso e um teto para o valor do dólar. O câmbio pode flutuar dentro desses limites. Atualmente, o teto está em $1.790 pesos.
É o salário anual complementar pago em duas parcelas (junho e dezembro) na Argentina. Equivalente a meio salário por semestre, é um direito trabalhista que gera maior circulação de dinheiro e demanda por dólares.
Os analistas identificam várias causas para a alta do tipo de câmbio:
Segundo Martín Polo, estrategista da Cohen: "A alta do tipo de câmbio me parece saudável porque já vinha muito atrasada. Era previsível que o tipo de câmbio se movesse mais rápido que a inflação porque foi o grande perdedor dos primeiros quatro meses".
O Banco Central da República Argentina (BCRA) reduziu o ritmo de suas intervenções para não pressionar ainda mais o tipo de câmbio. A média diária de compras passou de USD 137 milhões em maio para USD 81 milhões no que vai de junho.
O organismo presidido por Santiago Bausili acumula USD 10.600 milhões em compras líquidas durante 2026. Na sexta-feira operou apenas USD 408,1 milhões no segmento à vista, uma redução de aproximadamente USD 160 milhões em relação à quinta-feira, afetado pelo feriado nos Estados Unidos.
A autoridade monetária mantém uma margem ampla para continuar comprando divisas sem comprometer o esquema de bandas: o dólar atacadista está a 330 pesos do teto de flutuação.
Os analistas da PPI antecipam que a pressão cambial continuará no curto prazo. A troca de títulos TZV26 com 57,77% de adesão deixa fora parte da demanda de cobertura, que poderia se voltar ao dólar à vista ou outros títulos.
O Tesouro argentino realizará um leilão de dívida na próxima semana para captar investidores.
Risco país: 425 pontos básicos (mínimo desde abril de 2018)
Inflação maio 2026: 2,1%
Projeção dólar fim 2026: $1.629 (Matba-Rofex) a $1.658 (REM BCRA)
Teto banda cambial: $1.788,47
O dólar oficial argentino está corrigindo seu atraso em relação à inflação. Com uma alta de 3,8% em junho (vs. inflação de 2,1%), a moeda retoma uma trajetória mais alinhada com os fundamentos econômicos. A diferença em relação ao teto do regime de bandas permite ao BCRA continuar acumulando reservas sem pressões imediatas de desvalorização.
Fonte:Dados PR Corredores de Cambio e Banco Central da República Argentina.
Alfredo S. Quiroga