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Menem firma acordo com PRO e UCR para evitar interpelação de Adorni

22/06/2026 21:20 - Politica

A estratégia política de La Libertad Avanza parece ter dado resultados: o bloco oficialista, liderado por Martín Menem, fechou um acordo com o PRO e a UCR para não dar quórum na sessão especial convocada para este domingo, que tinha como objetivo principal interpelar o Chefe de Gabinete, Manuel Adorni.

Para entender: interpelação é um mecanismo constitucional argentino onde o Congresso pode convocar ministros para prestar contas. No sistema presidencialista da Argentina, o Chefe de Gabinete é um funcionário de alto escalão que coordena os ministérios e responde diretamente ao Presidente.

A manobra busca desativar a crise política gerada pelo escândalo de enriquecimento ilícito conhecido como "AdorniGate", onde o funcionário teve seu patrimônio incrementado em 775% (de $20 milhões a $944 milhões de pesos argentinos) segundo denúncias públicas. Em vez de enfrentar uma interpelação no plenário, o tema será encaminhado às comissões de Assuntos Constitucionais e Petições, e Poderes e Regulamento, controladas pelo oficialismo.

A tática dilatória

O acordo permite ao oficialismo ganhar tempo. Como não haverá quórum para a sessão especial, as comissões serão habilitadas somente a partir de 30 de junho, estendendo o debate além do recesso parlamentar de inverno e da Copa do Mundo de Futebol.

Fontes do bloco libertario confiaram que a intenção é que a Justiça, e não a política, determine o futuro de Adorni.

Um legislador radical resumiu a posição de seu partido: "Vamos habilitar as comissões para debater o tema ali e depois veremos", confirmando a decisão de não comparecer ao plenário para a sessão de interpelação.

A resposta da oposição

A oposição, que havia conseguido somar 120 das 129 assinaturas necessárias para a moção de censura, buscará "mostrar" os legisladores que não comparecerem.

Do PRO, deputados como Cristian Ritondo alertaram que a margem de manobra é escassa: "Se aparecer um flipper novo ou um jogo de lençóis, tudo cai. Não há margem para continuar olhando para o outro lado se aparecer mais alguma coisa", referindo-se à fragilidade da situação de Adorni.

Contexto: PRO (Proposta Republicana) e UCR (União Cívica Radical) são partidos de centro-direita argentinos. O PRO foi fundado por Mauricio Macri, ex-presidente (2015-2019). A UCR é um dos partidos mais antigos da Argentina, fundado em 1891.

O que vem na agenda legislativa

Com a sessão especial de domingo frustrada por falta de quórum, o oficialismo planeja convocar sessões para quarta-feira, mas com sua própria pauta. Os temas principais seriam o tratamento do "Super RIGI" (Regime de Incentivos para Grandes Investimentos) e o acordo com os holdouts.

O que são holdouts? São investidores que não aderiram às reestruturações de dívida da Argentina e mantêm títulos em default. O país busca regularizar sua situação para voltar aos mercados internacionais de crédito.

A manobra política não só busca proteger Adorni, mas também desbloquear a agenda parlamentar que estava travada pela crise gerada em torno de sua figura. O Chefe de Gabinete continuaria em seu cargo enquanto isso.

📊 Resumo dos números do escândalo


Patrimônio anterior:

$20 milhões

Patrimônio atual:

$944 milhões

Incremento:

+775%

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga