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Crisis na indústria de autopeças argentina: queda de 9% e mais de 4 mil empregos perdidos

24/06/2026 22:09 - Economia

Uma crise que se aprofunda

A indústria de autopeças argentina atravessa uma situação crítica que se agrava mês a mês. Segundo informe da Associação de Fábricas Argentinas de Componentes (AFAC) — entidade que representa os fabricantes de peças automotivas do país sul-americano —, a atividade do setor acumula uma queda de 8,9% nos primeiros quatro meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025.

O documento revela que todos os indicadores do setor apresentam resultados negativos: as exportações de autopeças caíram 9,2% em relação ao ano anterior, enquanto a produção de veículos registrou uma baixa de 18,6% no primeiro quadrimestre. Até mesmo a venda de combustível, que serve como termômetro do mercado de reposição, caiu 0,3% no acumulado do ano.

📉 Dados-chave da crise

  • Queda produção: -8,9% acumulado em 2026
  • Contração abril: -14,7% vs março
  • Exportações: -9,2% interanual
  • Produção veículos: -18,6% (129.867 unidades)
  • Venda combustível: -0,3% (6.215.307 m³)
  • Capacidade instalada: 56,1% (mínimo histórico)

👷 Impacto no emprego

  • Postos perdidos 2025: 4.100 empregos (-7,7%)
  • Empresas que reduziram pessoal em abril: 48,9%
  • Empresas que mantiveram quadro: 40,4%
  • Empresas que aumentaram pessoal: 10,6%
  • Redução de turnos: 9,4% das empresas
  • Suspensões: 8,8% das empresas

⚠️ Contexto econômico difícil

A crise do setor de autopeças se enquadra em um contexto econômico desafiante. Segundo dados do INDEC (Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina, equivalente ao IBGE brasileiro) de 23/06/2026, a economia argentina cresceu apenas 0,7% no primeiro trimestre de 2026, enquanto o investimento caiu 11,6% em relação ao ano anterior.

O mercado cambial também mostra sinais de desaceleração: o Banco Central argentino reduziu suas compras diárias de USD 138 milhões (abril-maio) para USD 79 milhões (junho), enquanto o dólar atacadista subiu 3,8% em junho frente a uma inflação estimada em 2%.

As causas por trás da queda

Juan Cantarella, Diretor Executivo da AFAC, explicou as razões desta crise: "Observa-se uma continuidade na queda da atividade e do emprego no setor de autopeças, tanto em relação ao fornecimento para montadoras que reduziram a produção, cancelaram projetos e reduziram fortemente o conteúdo local; como também no mercado de reposição com uma forte alta das importações de origem China, com preços que não surgem das forças livres de oferta e demanda".

A capacidade instalada utilizada no setor ficou em apenas 56,1% em abril, abaixo da média da indústria geral (61,6%). Este nível representa um mínimo histórico que evidencia a magnitude da desaceleração que atravessa a cadeia de valor automotiva.

💡 O que são autopeças e por que este setor é importante?

A indústria de autopeças fabrica os componentes utilizados para montar veículos: motores, transmissões, sistemas de freios, peças de carroceria, sistemas elétricos, entre outros. É um setor estratégico porque gera emprego qualificado, divisas por exportações e tem um forte efeito transbordamento sobre outras indústrias (metalúrgica, plásticos, eletrônica).

A Argentina tem uma longa tradição no setor, vinculada a montadoras como Toyota, Ford, Volkswagen, Fiat e Peugeot. A crise deste setor impacta diretamente regiões industriais importantes como o gran Buenos Aires (região metropolitana da capital), Córdoba e Santa Fe — estados com forte presença industrial.

Perspectivas e desafios

O informe da AFAC não inclui projeções específicas para os próximos meses, mas alerta que os dados de abril reforçam um cenário adverso. O setor enfrenta um desafio estrutural: competir com importações de origem chinesa que oferecem preços abaixo dos custos de produção locais, enquanto a demanda interna se contrai e as montadoras reduzem seu nível de atividade e conteúdo local nos veículos que produzem.

Fontes: Infobae, Ahora Entre Ríos

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga