26/06/2026 12:14 - Politica
A política argentina vive momentos de alta tensão. O que parecia ser mais um escândalo de corrupção comum transformou-se em uma crise institucional que abala o governo do presidente Javier Milei, líder libertário que assumiu em dezembro de 2023. No centro da polêmica está Manuel Adorni, contador público e atual chefe de Gabinete da Nação, acusado de aumentar seu patrimônio em impressionantes 775% sem explicação clara.
Para compreender a gravidade: o cargo de chefe de Gabinete na Argentina equivale ao de um primeiro-ministro ou secretário-geral de governo, sendo responsável pela administração geral do país e execução do orçamento nacional. É o segundo cargo mais importante do poder executivo argentino.
Javier Milei é um economista e político argentino que se tornou presidente em dezembro de 2023. Conhecido por seu estilo polêmico e discurso anti-establishment, Milei prometeu reformar profundamente a economia argentina, combater a inflação (que superou 200% em 2023) e reduzir o tamanho do Estado.
Sua irmã, Karina Milei, é considerada por muitos analistas como a verdadeira articuladora política do governo, mantendo influência significativa nas decisões presidenciais.
Os números são impactantes: a declaração de bens de Adorni passou de aproximadamente $20 milhões de pesos argentinos para cerca de $944 milhões em pouco tempo, representando um aumento de 775%.
A Justiça argentina investiga duas hipóteses principais: se os recursos vêm de contribuições não declaradas à sua campanha legislativa de 2025 (Adorni foi deputado porteño antes de assumir o cargo atual) ou se há conexão com a criptomoeda $LIBRA, promovida anteriormente pelo próprio Milei, o que gerou outro escândalo separado.
Na Argentina, o Congresso pode destituir o chefe de Gabinete através de uma moção de censura, um mecanismo previsto na Constituição de 1994. São necessárias 129 assinaturas dos 257 deputados para aprovar a destituição.
Atualmente, a oposição já reuniu 120 das 129 assinaturas necessárias. Se aprovada, seria a primeira vez na história argentina que um chefe de Gabinete seria removido pelo Congresso desde a criação do cargo em 1994.
| Data | Evento |
|---|---|
| Março de 2026 | Irregularidades patrimoniais de Adorni tornam-se públicas |
| 25 de junho de 2026 | Sessão de interpelação fracassa por falta de quórum (117 presentes de 129 necessários) |
| 26 de junho de 2026 | Adrián Ravier assume como novo porta-voz presidencial |
| 30 de junho de 2026 | Comissão de Assuntos Constitucionais começa a tratar os projetos de interpelação |
Um chefe de Gabinete enfraquecido permitiria que a irmã do presidente continuasse operando como a verdadeira articuladora política do governo, sem um interlocutor forte no Executivo.
Milei posicionou o jornalismo como um de seus principais adversários. Destituir Adorni seria considerado uma vitória para a mídia crítica.
Se comprovada conexão com a criptomoeda $LIBRA ou financiamento obscuro de campanha, Adorni passaria de funcionário questionado a alguém que guarda segredos comprometedores do governo.
Na sexta-feira 26 de junho de 2026, Adrián Ravier assumiu como novo porta-voz presidencial na Casa Rosada (sede do governo argentino), substituindo Manuel Adorni nesta função. Ravier renunciou ao seu cargo de deputado para assumir a posição. Sua primeira coletiva de imprensa está programada para 30 de junho de 2026. Analistas interpretam a nomeação como reconhecimento tácito da situação insustentável que envolve o chefe de Gabinete.
Alfredo S. Quiroga