30/06/2026 22:15 - Tecnologia
A data não foi escolhida ao acaso. Em 30 de junho de 1908, um asteroide explodiu na atmosfera sobre Tunguska, na remota região da Sibéria, na Rússia. A explosão liberou uma energia equivalente a vários megatons e devastou mais de 2.000 quilômetros quadrados de floresta, derrubando cerca de 80 milhões de árvores.
Embora a baixa densidade populacional da região tenha evitado uma tragédia humana em massa, a magnitude do fenômeno deixou uma lição permanente sobre os riscos que representam esses corpos rochosos remanescentes da formação do Sistema Solar.
Décadas depois, em 6 de dezembro de 2016, a Assembleia Geral da ONU aprovou a resolução A/RES/71/90 para oficializar a data. A iniciativa ganhou força em 2014 graças ao movimento Asteroid Day, impulsionado pelo astrofísico e guitarrista do Queen, Brian May, junto com a Fundação B612 e o astronauta Rusty Schweickart.
Identificou mais de 16.000 asteroides nas proximidades da órbita terrestre sob a denominação de Objetos Próximos à Terra (NEAs).
Seu Centro de Coordenação para objetos próximos à Terra (NEOCC) catalogou cerca de 42.000 objetos cujas órbitas passam perto da terrestre.
Para ser classificado nesta categoria, os corpos celestes devem cumprir parâmetros rigorosos:
O monitoramento constante permite descartar ameaças com anos de antecedência ou elaborar planos de contingência.
A humanidade já não se limita apenas a observar. Em 2022, a missão DART (Teste de Redirecionamento de Duplo Asteroide) da NASA conseguiu impactar com sucesso a lua do asteroide Didymos (chamada Dimorphos) para modificar sua órbita mediante transferência de impulso cinético.
Este marco demonstra que, diferente de terremotos ou erupções vulcânicas, o impacto de um asteroide é o único desastre natural previsível e potencialmente evitável com a tecnologia atual.
Lançada em 2024, chegará a Dimorphos para estudar as consequências do impacto de DART.
Estado: Conforme o planejado, chegará no outono de 2026.
Será lançada entre abril e maio de 2028 para estudar o asteroide Apophis.
Equipada com câmeras, espectrômetro e altímetro, além de dois cubesats.
Em 13 de abril de 2029, este asteroide de 375 metros de diâmetro passará a menos de 32.000 quilômetros da superfície terrestre, abaixo da órbita de muitos satélites de comunicações.
Segundo o professor de Física Aplicada da Universidade de Alicante, Adriano Campo Bagatin, não importa o que se ouça nos próximos meses ou anos, Apophis não tem nenhuma possibilidade de colidir com a Terra em 2029, nem em 2036, 2044 ou 2068.
Dado: A passagem de Apophis é um evento raro, estimado na ordem de uma vez a cada 7.500 anos.
Em 2013, um asteroide de apenas 18 metros de diâmetro explodiu sobre a cidade russa de Cheliábinsk sem aviso prévio. A onda de choque quebrou vidros e danificou infraestruturas, causando mais de 1.000 feridos e demonstrando que objetos pequenos também representam uma ameaça real.
A astronomia lusófona cumpre um papel fundamental. Portugal e Brasil possuem centros de pesquisa e observatórios que colaboram com redes internacionais de monitoramento de lixo espacial e alertas antecipados.
América do Sul — com Chile na vanguarda graças à extrema limpeza de seus céus no deserto de Atacama — abriga instalações de telescópios de última geração fundamentais para a descoberta de novos corpos no Sistema Solar, como o sistema ATLAS que detectou o asteroide 2024 YR4.
Aprender sobre a natureza destes fragmentos rochosos, visitar observatórios locais ou conversar sobre a importância da ciência na proteção do planeta são as atividades essenciais para celebrar esta data de relevância global.
Alfredo S. Quiroga