01/07/2026 09:25 - Sociales
A frase que resume a situação das negociações salariais na província de Buenos Aires vem do próprio governo: "Estamos longe". Funcionários da província mantêm contatos com líderes sindicais, mas a distância entre a oferta preliminar do governo e a pretensão dos trabalhadores continua ampla, segundo informou El Día.
Essa situação explica, em grande parte, a greve docente realizada em 30 de junho de 2026, com uma adesão superior a 90% segundo os sindicatos organizadores.
Na Argentina, os sindicatos docentes são muito organizados e têm grande peso nas negociações salariais.
Segundo fontes tanto do governo quanto sindicais, existem pelo menos dois pontos fundamentais de divergência na proposta salarial analisada em encontros informais:
Não há consenso sobre a porcentagem do aumento salarial a ser aplicado.
Divergência sobre como será o impacto em julho, agosto e setembro.
A Província propõe acertar o trimestre julho-setembro e voltar a abrir a negociação apenas no último trimestre do ano. Além disso, o governo bonaerense decidiu "pular" junho sem conceder aumento para esse mês, como reivindicavam os sindicatos.
A Argentina enfrenta um processo inflacionário crônico há décadas. Em 2026, a inflação continua sendo um desafio central para a economia do país.
| Indicador | Porcentagem |
|---|---|
| Aumento salarial acumulado 2026 | 9,3% |
| Inflação acumulada até maio 2026 | 14,7% |
| Inflação junho (segundo FEB) | 2,1% |
| Alimentos (junho) | 2,5% |
| Serviços (junho) | 2,6% |
Os salários estão perdendo contra a inflação, por isso os sindicatos reivindicam um reajuste que inclua retroatividade desde junho.
A província de Buenos Aires é a mais populosa da Argentina, com cerca de 17 milhões de habitantes (mais de um terço da população do país). O governo provincial expôs na última negociação sua delicada situação financeira, priorizando o pagamento em dia do salário extra (aguinaldo) - um benefício equivalente ao 13º salário no Brasil.
Dívida do Governo Nacional com a Província:
$17,8 bilhões de pesos
Desfinanciamento total:
$26,7 bilhões de pesos
Este valor inclui a queda na arrecadação devido à diminuição da atividade econômica. A Província judicializou parte das reivindicações, mas até o momento não obteve resoluções favoráveis.
María Laura Torre, secretária geral do SUTEBA, explicou em conversa com Radio Provincia que a reivindicação também inclui o tema da violência nas escolas:
"Não é violência escolar, mas violência que aparece, que explode, que estoura dentro da escola com diferentes formatos e é preciso dizer basta e torná-la visível".
A dirigente esclareceu que não se trata apenas de violência física, mas também verbal, um fenômeno que vem crescendo em todo o país. Além disso, reivindica-se pela sobrecarga laboral e pela modificação do regime acadêmico na escola secundária.
Enquanto a negociação na província de Buenos Aires segue travada, o Governo Nacional oficializou em 30 de junho de 2026 um acordo para os trabalhadores estaduais da Administração Pública Nacional através do Decreto 552/2026:
| Mês | Aumento |
|---|---|
| Junho 2026 | 2,40% |
| Julho 2026 | 2,20% |
| Agosto 2026 | 1,90% |
Além disso, será concedida uma quantia fixa remunerativa de $50.000 pesos (não bonificável, única vez) que será paga junto com os salários de agosto de 2026.
O governo provincial tem tempo até meados de julho para apresentar uma proposta que possa ser processada e paga aos funcionários nos primeiros dias de agosto. As reuniões para aproximar posições continuarão nas próximas horas. Esta é a segunda greve do ano por agenda salarial na província de Buenos Aires.
Alfredo S. Quiroga