01/07/2026 19:06 - Tecnologia
Cientistas da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, liderados pela pesquisadora Kate Adamala, anunciaram a criação da SpudCell, a primeira célula sintética do mundo capaz de completar um ciclo de vida completo: alimentar-se, crescer e replicar-se. Este avanço representa um salto extraordinário na biologia sintética.
"Reproduzimos em química o que antes só era possível em biologia: o conjunto completo de comportamentos de uma célula. Isso demonstra que as funções mais fundamentais da vida, como o crescimento e a replicação, não precisam de uma faísca mágica misteriosa", destacou Adamala no comunicado oficial.
| Tipo | Tamanho |
|---|---|
| SpudCell (sintético) | 90.000 pares de bases |
| Micróbio mínimo natural | ~113.000 pares de bases |
| Genoma humano | 3.000 milhões de pares |
As SpudCells reproduzem o ciclo de vida completo de uma célula biológica: seleção e replicação do genoma, crescimento e aquisição de recursos através da alimentação. Diferente das células naturais, não utilizam citoesqueleto para a divisão celular, mas empregam proteínas que se reúnem na superfície da membrana até provocar sua ruptura.
A equipe conseguiu, através de modificação genética, que estas células crescessem mais rápido e produzissem mais descendência. Após cinco gerações, a variante de crescimento mais rápido havia superado a original, demonstrando que a seleção natural e a competição operam mesmo em sistemas químicos totalmente sintéticos.
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⚠️ Limitações: A revista Cell rejeitou o estudo. Atualmente, os laboratórios não contam com padrões comuns para células funcionais e a tecnologia ainda requer intervenção humana para a divisão celular.
A equipe está criando a Biotic, uma organização de pesquisa sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento responsável de células sintéticas definidas química e funcionalmente. "Para realizar plenamente o potencial desta tecnologia, precisamos de um esforço internacional conjunto", afirmou Adamala.
A biologia sintética é um campo interdisciplinar que combina princípios de engenharia e biologia para projetar e construir novos sistemas biológicos. Diferente da engenharia genética tradicional (que modifica organismos existentes), a biologia sintética busca criar vida completamente do zero, usando componentes químicos definidos.
Para compreender a magnitude deste avanço: imagine construir um carro peça por peça, sem usar nenhum componente de carros existentes. Isso é o que os cientistas fizeram com a vida, no nível celular.
Fonte: Infobae / EFE
Alfredo S. Quiroga