02/07/2026 04:55 - Economia
O risco país argentino encerrou a primeira metade de 2026 em 426 pontos-base, seu nível mais baixo desde 2018, segundo dados do mercado financeiro. A queda representa uma diminuição de 25,1% no ano e de 13,6% apenas em junho, consolidando uma tendência que reflete a maior confiança dos investidores internacionais nos ativos locais.
O indicador, que mede o diferencial de taxas entre os títulos argentinos e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos (considerados livres de risco), foi reduzido a quase metade em comparação aos 255 pontos-base de spread sobre mercados emergentes registrados no início do ano. Atualmente, o spread está em 98 pontos-base.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Dólar oficial (venda) | $1.500 |
| Dólar atacadista | $1.481,50 |
| Dólar blue (paralelo) | $1.510-$1.515 |
| Projeção julho | $1.504 |
| Projeção dezembro | $1.653 |
Diante da incerteza eleitoral trazida pelo horizonte das eleições presidenciais de 2027, os analistas financeiros recomendam dolarizar carteiras e reduzir a exposição a títulos soberanos. A estratégia busca proteger o patrimônio enquanto se aproveitam as oportunidades que o mercado local oferece.
Renda fixa corporativa com duração curta e rendimentos próximos a 7% anual em dólares.
O S&P Merval (principal índice bolsário argentino) avançou 1,7% em junho, fechando em 3.176.751 pontos, enquanto os títulos em dólares subiram até 1,4% (destacando-se o Global 2030). Em Wall Street, os ADRs argentinos (recibos de depósito de ações) registraram altas de até 4,1%.
Contudo, o primeiro dia de julho mostrou uma correção: o Merval caiu 1,6% até 3.128.135,41 pontos e 2,2% em dólares (1.994,84 unidades). Os ADRs perderam até 4% em Wall Street, com Supervielle liderando as quedas com -4%, seguido por TGS (-3,6%) e Cresud (-3,3%).
Julho apresenta um desafio particular: há um vencimento de USD 4,3 bilhões com privados em 9 de julho e pagos ao FMI por USD 800 milhões entre agosto e setembro. As projeções de inflação da BBVA Research estimam 29% para 2026 e 20% para 2027.
O risco país é um indicador que mede a probabilidade de um país não cumprir com suas obrigações financeiras. Calcula-se como a diferença entre o rendimento dos títulos soberanos desse país e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos (considerados de menor risco). Um nível mais baixo indica maior confiança dos investidores internacionais. A última vez que a Argentina teve um risco país similar foi em 2018, antes da crise financeira.
O dólar blue é o dólar paralelo na Argentina, negociado no mercado informal. Historicamente, existe uma brecha (diferença) entre o dólar oficial e o paralelo devido aos controles de câmbio. Compreender esta distinção é fundamental para investidores estrangeiros que analisam a economia argentina.
Cedears (Certificados de Depósito Argentinos) são instrumentos que permitem aos investidores argentinos acessar ações de empresas internacionais (como Apple, Tesla, Amazon) através do mercado local. Representam uma forma de dolarizar investimentos sem precisar de uma conta no exterior.
Fontes: Ámbito Financiero, Infobae, BBVA Research, BCRA
Alfredo S. Quiroga