06/07/2026 03:43 - Politica
Para entender a política argentina, é vital saber que a Casa Rosada é a sede do poder executivo nacional. No dia 30 de junho de 2026, Diego Santilli assumiu como Chefe de Gabinete (um cargo equivalente a um ministro-chefe de estado) após a renúncia de Manuel Adorni em 27 de junho. Com essa mudança, o Governo busca retomar a iniciativa política e focar na reeleição do presidente Javier Milei nas eleições de 2027.
Santilli chega com uma promessa de pragmatismo e pactos com governadores provinciais, em meio a uma agenda que busca eliminar as PASO (Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias, um sistema único de pré-eleição argentina) e aprovar a Inocência Fiscal. Segundo informou o meio local Cenital, Karina Milei já tem clara sua obsessão: condicionar Patricia Bullrich e selar acordos eleitorais antecipados para fortalecer o espaço libertário.
A saída de Adorni deixou uma série de funcionários designados durante sua gestão que agora estão na mira da nova condução. Entre eles se destacam Pablo Ciocchini, amigo de infância do ex-porta-voz, que acumula três cargos: presidente da Agência de Publicidade do Estado, gerente geral da mesma e vice-presidente de Parques Nacionais.
Outro caso chave é o de Ian Vignale, secretário executivo da Chefia e diretor do Correio Argentino e da extinta Telam (a agência de notícias estatal recentemente fechada pelo governo). Federico Sicilia, secretário jurídico e de administração, também está sob a lupa, assim como María Fernández Villa, Agostina Brichetti e Bárbara Pintelos, que ocuparam diversas áreas estratégicas.
Versões de meios de oposição sugerem investigações sobre um suposto enriquecimento ilícito, as quais foram descartadas rotundamente como uma operação do peronismo. Santilli e Karina Milei prometem revisar essas nomeações caso a caso com a máxima brevidade.
Um estudo da consultoria Q-Social revela que 19% da população compartilha os valores de Milei e tem simpatia pessoal, enquanto 17% apoia a gestão, mas não seu estilo. A economia segue sendo a prioridade para 61% dos consultados, por acima da batalha cultural.
Em relação a esta última, pesquisas de Alaska e TresPuntoZero indicam uma mudança de tendência. O apoio às privatizações caiu de 54% para 34%, e o respaldo à eliminação de subsídios baixou de 44% para 34%. Além disso, 62% apoia sustentar as políticas de memória, verdade e justiça (referência aos julgamentos pelos crimes da ditadura militar argentina).
O cenário opositor mostra tensões internas no peronismo (o principal movimento político e sindical argentino, de viés popular). Axel Kicillof (atual governador da província de Buenos Aires) enfrenta críticas desde o oficialismo e desde seu próprio espaço. Segundo informações de meios locais, Cristina Kirchner (ex-presidente e figura máxima do movimento) teria expressado que o governador bonaerense não é sua candidata para 2027.
O peronismo enfrenta três possíveis cenários de cara às próximas eleições, especialmente se for alcançada a eliminação das PASO: a impossibilidade de uma interna aberta pelo custo e a desmobilização, um esquema de unidade forçada como em eleições anteriores, ou a apresentação de duas listas separadas, o que poderia beneficiar Milei no primeiro turno se superar os 30 ou 35 por cento dos votos.
Alfredo S. Quiroga