09/07/2026 22:16 - Economia
A economia argentina continua seu processo de estabilização. Segundo um informe divulgado pelo Ámbito em 9 de julho de 2026, os preços medidos em dólares mostraram um comportamento particular desde que o presidente Javier Milei assumiu o mandato em 10 de dezembro de 2023.
Para entender o cenário, é fundamental definir este conceito. A inflação em dólares não é uma medida oficial de inflação (que é medida em pesos argentinos), mas um indicador que surge da comparação da variação dos preços locais com a cotação do dólar. Se os preços sobem em pesos, mas o dólar sobe ainda mais, os produtos ficam 'mais baratos' em termos de moeda estrangeira. Por outro lado, se a inflação em pesos supera a desvalorização da moeda local, o país fica 'mais caro' em dólares.
O relatório indica que desde dezembro de 2023, a Argentina ficou 3,5% mais cara em termos de dólar. Embora isso represente um aumento, a leitura regional é muito mais encorajadora: o país conseguiu baratear seus custos em relação ao resto da América Latina, melhorando sua competitividade na comparação com seus vizinhos do continente.
Embora a melhora frente à região seja uma excelente notícia para a competitividade, ainda existem desafios internos. Meios de comunicação como La Nación e Infobae, citando estudos de consumo, indicaram que a Argentina possui os preços mais altos da região em setores específicos como vestuário e restaurantes. De fato, em 6 dos 11 setores de consumo analisados, os preços em dólares no país superam a média latino-americana.
Esta notícia chega em um quadro de notável reordenamento macroeconômico. Em julho de 2026, o dólar Banco Nación (a taxa de câmbio oficial de referência na Argentina) está cotado em 1.510 ARS, enquanto o risco país (um indicador que mede a confiança dos investidores internacionais na economia argentina) se mantém em níveis historicamente baixos, em torno de 405 pontos base, seu mínimo desde 2018. Além disso, o Governo apresentou seu plano financeiro 2026/2027 com um superávit projetado de USD 3.700 milhões, mostrando um horizonte fiscal sólido que respalda a melhora no balanço de preços.
Fontes: Ámbito, La Nación, Infobae.
Alfredo S. Quiroga