12/07/2026 22:09 - Economia
No dia 12 de julho de 2026, o Governo nacional da Argentina abriu formalmente o debate sobre o Orçamento 2027 com um avanço assinado pelo ministro da Economia, Luis Caputo, e pelo chefe de Gabinete, Diego Santilli. O documento reafirma os eixos centrais do plano econômico do presidente Javier Milei: equilíbrio fiscal, redução de impostos e continuidade do programa para eliminar a inflação.
Para entender o contexto local, o Congresso argentino exige que o Poder Executivo envie o projeto de lei orçamentária antes de 15 de setembro de cada ano. Segundo informou o portal MDZol, o texto estabelece como metas manter as contas equilibradas, aprofundar a redução de impostos e sustentar a inflação em queda. No entanto, os detalhes das verbas ficarão para a apresentação do projeto definitivo, um vazio que a oposição já começou a apontar.
Diferentes blocos da oposição no Congresso questionam a tentativa do Executivo de fixar as linhas gerais das contas públicas para um ano eleitoral sem abrir um debate mais amplo sobre o destino dos gastos, obras públicas e fundos para as províncias e setores sociais.
Uma das maiores reclamações aponta para a ausência de definições sobre educação, saúde, infraestrutura e transferências para as províncias. Para vários legisladores, o esquema oficial insiste na lógica de redução de gastos sem avaliar o impacto sobre os serviços públicos e as economias regionais.
Também existem dúvidas sobre as projeções econômicas que sustentam o plano: deputados e senadores pedem para revisar as estimativas e discutir se os objetivos fiscais são compatíveis com uma recuperação sustentada da atividade econômica.
O dado político mais relevante é que as primeiras críticas não vieram do kirchnerismo (a ala mais à esquerda do peronismo), mas sim da Innovación Federal, um bloco que costuma apoiar o oficialismo e que responde aos governadores das províncias de Salta e Misiones.
Esse setor objetou que o avanço apresenta diretrizes gerais sem o nível de detalhe exigido pelo debate, e alertou que o ajuste recairia principalmente sobre as transferências para as províncias, a obra pública e as verbas de saúde, educação e ciência.
Nessa linha, ressaltaram que a discrepância entre as metas do Orçamento 2026 e a evolução real da economia gera dúvidas sobre a consistência das novas projeções oficiais.
A Casa Rosada (sede do governo argentino) quer chegar ao plenário com um sinal político claro: o superávit fiscal como condição inegociável da gestão. No entanto, o histórico de debates orçamentários anteriores antecipa uma negociação complexa com a oposição e os blocos dialoguistas.
O Orçamento 2027 será um teste de poder para o oficialismo, que precisará reunir os apoios necessários para transformar suas diretrizes em lei. Vale lembrar que o Orçamento 2027 deve ser enviado antes de 15 de setembro de 2026, conforme estabelece a normativa vigente.
O avanço do Orçamento 2027 ocorre em um contexto de melhoria nos indicadores econômicos do governo Milei. O risco país da Argentina caiu para 402 pontos básicos, seu nível mais baixo desde abril de 2018, com uma queda de 29,4% no que vai de 2026.
A inflação na cidade de Buenos Aires (CABA) em junho foi de 1,8%, e projeta-se um índice de 2% em nível nacional. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta um crescimento de 3,5% para 2026. O dólar oficial está em $1.515 ARS e o plano financeiro 2026/2027 projeta necessidades de USD 24.900 milhões para cobrir vencimentos no próximo ano.
Alfredo S. Quiroga