14/07/2026 15:58 - Internacionales
A Venezuela, país localizado no norte da América do Sul e que possui as maiores reservas de petróleo do mundo, vivenciou uma catástrofe sem precedentes. No dia 24 de junho de 2026, a costa norte do país (na região de La Guaira, próxima à capital Caracas) foi abalada por dois fortes terremotos, com magnitudes de 7.2 e 7.5 graus, que ocorreram com menos de um minuto de diferença. A energia liberada foi equivalente a 240 bombas atômicas como as de Hiroshima, segundo explicou Carlos Genatios, engenheiro estrutural e ex-ministro da Ciência e Tecnologia.
O balanço oficial do desastre, atualizado no domingo 13 de julho, elevou o número de mortos para 4.490 pessoas, com cerca de 17.000 feridos. Há temores de que o número continue a aumentar à medida que mais corpos sejam retirados dos edifícios desmoronados.
"Eu não perdi uma cozinha. Eu perdi uma filha!"
A indignação pública tem sido grande. Damely Yaneth Díaz, moradora de Catia La Mar, confrontou verbalmente o congressista Nicolás Maduro Guerra, filho do ex-presidente Nicolás Maduro, em uma cena que se tornou viral. "Todos vocês deveriam ser presos! Isso foi negligência e vocês têm que pagar!", gritou Díaz, recebendo aplausos dos presentes.
O descontentamento é dirigido à presidente interina, Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo em janeiro, após o sequestro de Maduro, ordenado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em 3 de janeiro de 2026. Rodríguez classificou as críticas como "campanha maliciosa" e defendeu a resposta "incansável" de seu governo, embora tenha evitado interagir diretamente com as famílias das vítimas nas zonas afetadas.
Os complexos habitacionais da "Revolução Bolivariana" do ex-presidente Hugo Chávez (um programa governamental de moradia popular), construídos sobre solos moles que tremeram como gelatina, são o epicentro das críticas por má construção. Gabriel González, um trabalhador da construção civil de 45 anos que vivia no conjunto OPPE 25, ainda procura por seu filho Daniel (22) e por sua sogra entre os escombros. "Nós não temos governo", reclamou González, que passou 24 horas enterrado junto com sua esposa Rosa antes de ser resgatado milagrosamente ileso.
Outros moradores, como Marciel Edilberto Llarve, do OPPE 33, descreveram os edifícios como "armadilhas mortais de má qualidade" com cimento em pó. Francisco González, um morador de 60 anos, resumiu o sentimento de muitos: "Acho que Deus está punindo os políticos".
A tragédia ameaça desestabilizar ainda mais a nação. Os Estados Unidos enviaram cerca de 1.000 efetivos militares para reforçar a resposta à emergência e ajudar na logística de resgate e recuperação. Segundo o jornal The New York Times, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, estaria atuando como o "vice-rei de facto" do país sul-americano.
Para muitos, a devastação revelou problemas profundos, mas também despertou um sentimento de união. Milagri Rodríguez Guanire, que viajou desde o Chile para procurar sua mãe nos escombros, afirmou: "Sinto que [os terremotos] foram a gota d'água para que todos vejam que já chega de tanto sofrimento na Venezuela. Agora é o momento de nos unirmos e reconstruir com segurança".
Fontes: The Guardian (14/07/2026) e The Guardian (12/07/2026)
Alfredo S. Quiroga