20/07/2026 18:40 - Politica
Nesta segunda-feira, 20 de julho de 2026, o Governo nacional argentino publicou no Diário Oficial (conhecido localmente como 'Boletín Oficial') o Decreto 612/2026, que introduz modificações na regulamentação da nova Lei de Modernização Trabalhista. A medida flexibiliza o cálculo do limite de 2% para as contribuições e aportes em favor das associações de trabalhadores, o que é interpretado como uma concessão à CGT e às CTA, horas antes de iniciarem um plano de luta.
Para entender o contexto argentino, a CGT (Confederação Geral do Trabalho) é a principal central sindical do país, enquanto a CTA (Central dos Trabalhadores da Argentina) é outra importante federação. A contribuição solidária é uma contribuição econômica realizada pelos trabalhadores afiliados a um sindicato para a manutenção da entidade. A reforma trabalhista argentina impôs um teto de 2% sobre as remunerações para estes aportes.
Até a entrada em vigor deste novo decreto, os limites eram determinados apenas sobre o salário básico convencional de cada categoria, o que limitava o financiamento sindical. Com a nova norma, também deverão ser computadas as somas remunerativas que sejam normais, habituais e mensais, como adicionais por categoria, função, assiduidade (conhecido na Argentina como 'presentismo') ou antiguidade.
O contador Marco Felice, criador do Blog do Contador, explicou que o efeito principal é que pode aumentar o valor máximo das cargas convencionais alcançadas pelos tetos, porque as porcentagens passam a ser aplicadas sobre uma base mais ampla.
A norma estabelece que ficarão excluídos do teto de 2% todos os conceitos que não sejam retribuições habituais. Esta lista inclui:
Por outro lado, as contribuições patronais que os empregadores concordam pagar diretamente aos sindicatos mediante acordos coletivos não ficam alcançadas pelo limite de 2%. No entanto, esses fundos devem destinar-se exclusivamente a obras de caráter social, assistencial, previdenciário ou cultural em benefício dos trabalhadores, e sua administração deve ser documentada separadamente do resto dos fundos sindicais.
O decreto leva a assinatura do presidente argentino Javier Milei, do chefe de Gabinete, Diego Santilli, e da ministra do Capital Humano, Sandra Pettovello. Segundo informaram meios como La Voz del Interior e LA NACIÓN, este acordo foi alcançado através de conversas com a mesa política do Governo, impulsionadas por Santilli e apoiadas por Santiago Caputo, Karina Milei, e os irmãos Martín e Lule Menem.
Esta medida chega em um momento chave, já que a CGT e as duas CTA ratificaram um plano de luta que inclui uma marcha nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026, ao redor do Congresso, em apoio aos aposentados, e a possibilidade de uma greve geral. Os sindicatos argumentam esta medida diante da queda do salário real e da perda de empregos registrada.
A publicação deste decreto demonstra que, além dos discursos públicos, existe um espaço para o acordo e a convivência entre o Governo e os representantes sindicais na Argentina. Esta flexibilização é um passo positivo para fornecer segurança jurídica e garantir um esquema de financiamento que permita aos sindicatos continuar prestando serviços aos seus representados.
Alfredo S. Quiroga