Matías Pourrain, jogador argentino de 34 anos, viveu um pesadelo ao ser detido pelo ICE no aeroporto de Fort Lauderdale. Durante 21 dias, suportou condições desumanas: quase três dias sem comer, 68 pessoas amontoadas e mais de 24 horas algemado. Libertado após pagamento de fiança de USD 20.000, seu caso migratório segue sem solução.

O jogador argentino Matías Pourrain, de 34 anos, foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) durante 21 dias, em um episódio que ele mesmo classificou como uma “tortura mental”. O caso ocorreu em março passado, quando viajava com sua equipe para uma partida local e foi interceptado no aeroporto de Fort Lauderdale, durante um traslado interno entre cidades.

Pourrain, que reside legalmente no país com permissão de trabalho, carteira de motorista e número de seguro social, aguardava a resolução de seu caso migratório. No entanto, nada o preparou para o que viria. “Nunca ninguém me avisou que algo assim poderia acontecer”, declarou em entrevista à Telemundo.

Condições desumanas durante a detenção

O relato de Pourrain descreve um tratamento degradante e violador dos direitos humanos mais básicos. Entre os fatos mais impactantes, destacam-se:

  • Quase 3 dias sem comer e sem poder tomar banho.
  • 68 pessoas amontoadas em um quarto, obrigadas a ficar de pé.
  • Uma garrafa pequena de água por dia para cada detido.
  • Mais de 24 horas algemado de mãos e pés, com correntes no tronco.
  • Transferências em condições desumanas, com zombarias por parte dos agentes.

O jogador afirmou que o trataram “como um criminoso” e que a experiência foi uma autêntica “tortura mental”. Além disso, dividiu cela com outros detidos que tinham autorizações ou processos migratórios em andamento, muitos dos quais não podiam pagar a fiança para sair em liberdade.

A libertação e a situação atual

Pourrain foi libertado depois que sua família e amigos conseguiram reunir USD 20.000 para pagar a fiança, valor coberto com doações e empréstimos. Desde então, pode trabalhar e viajar, mas deve portar um documento que certifique sua detenção e libertação. Sua situação migratória, no entanto, continua exatamente a mesma: “Se eu sair do país, perco meu caso”, explicou.

O jogador considera sua detenção ilegal, e sua advogada concorda com essa avaliação. O caso gerou um forte debate sobre as políticas migratórias dos Estados Unidos e o tratamento dado aos imigrantes com status legal em processo de regularização.

Contexto e repercussões

Este caso se soma a uma série de denúncias sobre a atuação do ICE em território americano, especialmente no que diz respeito à detenção de pessoas com processos migratórios em andamento. Organizações de direitos humanos têm apontado que as condições descritas por Pourrain não são um caso isolado, mas parte de um padrão sistemático.

A história foi divulgada por Infobae e Identidad Correntina, entre outros meios. Pourrain, natural de Corrientes, tornou-se um símbolo da luta de milhares de imigrantes que vivem com o medo constante de serem detidos, apesar de cumprirem as leis do país.

Enquanto isso, o jogador tenta retomar sua vida e sua carreira, embora a sombra desses 21 dias o acompanhe para sempre. “É desumano o que vivi”, sentenciou.