A noite em São Paulo tinha um roteiro perfeito para o Rosario Central: com a expulsão de Raniele e um homem a mais durante quase 40 minutos, a equipe de Jorge Almirón parecia caminhar para a classificação. Mas o futebol é cruel, e o Corinthians, com a experiência de Memphis Depay e a precisão de Breno Bidon, desferiu o golpe fatal aos 80 minutos. O 1 a 0 eliminou o Canalla da Libertadores e deu ao Timão a vaga para enfrentar o Estudiantes de La Plata nas quartas de final.
O jogo, disputado na quinta-feira, 20 de agosto, no estádio Neo Química Arena, refletiu o equilíbrio visto na partida de ida (0 a 0 em Rosário). No primeiro tempo, o Corinthians dominou a posse de bola, mas esbarrou na solidez defensiva do Central e nas defesas de Jeremías Ledesma. O time da casa teve duas chances claras: um chute de Garro defendido por Ledesma e um disparo de Kaio César que passou perto. Do outro lado, o Canalla só assustou com um chute de longe de Gastón Ávila, que passou rente à trave de Hugo Souza.
A expulsão que mudou tudo
O segundo tempo começou no mesmo ritmo, mas aos 57 minutos o árbitro venezuelano Alexis Herrera, após revisão do VAR, expulsou Raniele por uma entrada duríssima em Enzo Copetti. O volante do Corinthians já tinha amarelo e deixou sua equipe com dez homens. O Central tomou conta do jogo, mas faltou clareza para criar perigo. A chance mais clara veio aos 73 minutos, quando Copetti ganhou a bola, encarou Hugo Souza e finalizou por cima do travessão. Um erro que custou caro.
O time de Almirón tentou com as substituições (entraram Julián Fernández, Giovanni Cantizano e Marco Ruben), mas não conseguiu furar a defesa de um rival que se fechou bem. Quando a partida parecia caminhar para os pênaltis, apareceu a magia de Depay: o holandês, que entrara aos 69 minutos, cobrou uma falta de forma ensaiada, recebeu a bola e cruzou perfeito para o primeiro poste. Breno Bidon antecipou a todos e marcou o gol que desencadeou a festa da torcida paulista e o lamento do time argentino.
As notas dos jogadores do Rosario Central
De acordo com a análise do Rosario3, as notas dos jogadores auriazuis refletem a frustração: Jeremías Ledesma (5) defendeu um chute, mas não pôde evitar o gol; Emanuel Coronel (3) cometeu a falta que originou o gol; Ignacio Ovando (6) venceu quase todos os duelos; Gastón Ávila (6) cumpriu na defesa e quase marcou de longe; Agustín Sández (5) discreto; Franco Ibarra (5) cumpriu sem brilhar; Federico Navarro (6) foi o melhor do meio-campo; Alan Rodríguez (5,5) correto; Ángel Di María (3) errou em quase todas as jogadas; Jaminton Campaz (3,5) perdeu o duelo com Matheuzinho; e Enzo Copetti (3) foi o grande vilão da noite, perdendo o mano a mano que poderia mudar a história.
Os que entraram não tiveram impacto: Cantizano, Julián Fernández, Ruben e Badaloni pouco participaram.
Um histórico que pesa
Com essa derrota, o Rosario Central voltou a decepcionar nos mata-matas. A estatística é contundente: em nove vezes que decidiu uma série no Brasil, só saiu vencedor em três (em 1998 contra o Atlético Mineiro e em 2024 diante do Internacional). Além disso, o Corinthians já o havia eliminado em 2000, também nas oitavas da Libertadores, nos pênaltis. Desta vez, o Timão voltou a celebrar diante dos canallas, como há 26 anos.
Por outro lado, o gesto de Ángel Di María ao final do jogo foi revelador: o Fideo, de 38 anos, deixou uma frase que gera dúvidas sobre seu futuro: “Agora vou pensar e ver o que quero continuar fazendo”. Uma possível aposentadoria que abalaria o mundo do futebol.
O que vem pela frente: Estudiantes espera
Com esse resultado, o Corinthians se classificou entre os oito melhores do continente e enfrentará o Estudiantes de La Plata nas quartas de final. O primeiro jogo será no estádio UNO, em La Plata, e a volta na Neo Química Arena, em São Paulo. O Pincha, que eliminou o Nacional de Montevidéu, buscará fazer valer o fator casa para surpreender um time brasileiro que conta com estrelas como Memphis Depay e Rodrigo Garro.
A chave promete emoções fortes. Enquanto isso, o Rosario Central terá que se reerguer e focar no Torneio Clausura, onde ocupa a segunda posição com 12 pontos, a dois do líder River Plate. A eliminação dói, mas o futebol argentino terá a chance de revanche com o Estudiantes, que tentará honrar a história do clube na Copa Libertadores.