O Governo nacional argentino alcançou um entendimento com os pilotos marítimos para destravar a paralisação portuária que afetava o comércio exterior. Decidiu-se suspender o Decreto 690/2026, reduzir as tarifas em 20% e formar uma mesa de trabalho. Mais de 185 navios parados retomarão as suas operações nas próximas horas, normalizando as exportações.

Uma saída dialogada para o comércio exterior argentino

A paralisação dos portos argentinos, que manteve mais de 185 navios parados, começou a ser resolvida após o anúncio oficial. A administração nacional confirmou um acordo com os representantes do setor de pilotagem marítima (os chamados 'práticos') que contempla uma redução de 20% nas tarifas e o restabelecimento das tarefas de assistência à navegação.

Segundo comunicado divulgado em 04 de agosto de 2026, resolveu-se suspender a aplicação do Decreto 690/2026 de desregulação do serviço e formar uma mesa de trabalho para analisar os diferentes aspectos da atividade. Esta instância será coordenada pelo Poder Executivo, com participação das áreas de Segurança, Defesa e outros organismos competentes.

Contexto para estrangeiros: O que é o 'practicaje'?

Na Argentina, o 'practicaje' (pilotagem) é um serviço essencial onde pilotos locais altamente treinados embarcam em navios grandes para guiá-los com segurança através de rios complexos e portos rasos. Sem eles, grandes cargueiros não podem manobrar, paralisando totalmente as exportações de grãos e combustíveis.

A origem do conflito

O conflito eclodiu em 1º de agosto de 2026, após a publicação do Decreto 690/2026, assinado pelo presidente Javier Milei e pelo ministro de Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger. A norma buscava modificar o regime do serviço de pilotagem vigente desde 1991, criando um registro aberto de profissionais e eliminando barreiras de entrada.

Diante da falta de acordo prévio, pilotos e guias deixaram de aceitar novos serviços. A situação gerou sobrecustos para as empresas e preocupou a Câmara Argentina de Energia (CADE) pelo abastecimento de combustíveis no sul da Patagônia, afetando inclusive o projeto Vaca Muerta Oil Sur (VMOS), um oleoduto vital para a exportação de petróleo da Argentina.

Pontos-chave do acordo

  • Redução tarifária imediata: 20% nos serviços de pilotagem.
  • Suspensão do Decreto 690/2026: Volta-se ao regime de 1991 enquanto se dialoga.
  • Mesa de trabalho: Integrada por Segurança, Defesa e outros organismos.
  • Restabelecimento operacional: Os pilotos retomarão as tarefas de forma imediata.

Impacto e normalização

O entendimento permitirá normalizar o movimento dos navios que permaneciam sem operar em portos e vias navegáveis. Durante a greve, o presidente da Câmara da Indústria de Óleos Vegetais e do Centro de Exportadores de Cereais (CIARA-CEC), Gustavo Idígoras, havia alertado sobre o risco reputacional para a Argentina como fornecedor global de alimentos.

Com a medida, espera-se que o fluxo de barcos comece a normalizar nas principais zonas portuárias do país nas próximas horas, evitando desvios para portos de Montevidéu (Uruguai) e Brasil, e garantindo a continuidade das exportações argentinas.

Fontes: Infobae, Rosario3, La Nación.