O fim dos descontos enganosos e das armadilhas de assinatura
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, decidiu colocar o custo de vida no centro de sua gestão com uma série de medidas voltadas a proteger o bolso das famílias britânicas. A ofensiva contra as práticas comerciais abusivas busca erradicar os descontos falsos e facilitar o cancelamento de assinaturas indesejadas.
Medidas-chave anunciadas:
- Proibição de descontos falsos: Acabam as táticas que inflam o preço original para que o desconto pareça maior. Se algo diz metade do preço, será exatamente isso.
- Fim das armadilhas de assinatura: As novas proteções serão antecipadas para janeiro de 2027. As empresas deverão dar informações claras, lembrar os clientes sobre suas assinaturas e permitir o cancelamento de forma simples.
- Período de graça: Os consumidores terão 14 dias de reflexão após o fim de um teste ou a renovação de um contrato de longo prazo.
Segundo dados do governo, a pessoa média tem cerca de três assinaturas e gasta aproximadamente £500 por ano com elas. No Reino Unido, há cerca de 155 milhões de assinaturas ativas, e gasta-se a soma de £1,6 bilhão anual em assinaturas indesejadas. Com essas medidas, estima-se que os consumidores economizarão em média £14 por mês por cada assinatura que conseguirem cancelar a tempo. O impacto total dessas soluções cotidianas pode beneficiar os consumidores com uma economia de £400 milhões por ano.
Seis propostas adicionais para continuar economizando
Além das medidas imediatas, foram apresentadas outras seis ideias que o governo pode implementar para continuar aliviando os bolsos dos britânicos:
1. Adeus às taxas de gestão de ingressos
As taxas de transação ou processamento de pedido em shows e espetáculos podem desaparecer, já que na maioria das compras online não há justificativa para cobranças adicionais.
2. Controle dos débitos diretos
Proibir que empresas de energia aumentem os pagamentos mensais quando o cliente já tem saldo a favor. Atualmente, os fornecedores retêm £3,2 bilhões dos clientes.
3. Frear a reduflação
Exigir um aviso de novo tamanho de embalagem nos produtos para alertar os compradores quando recebem menos produto pelo mesmo preço, medida já em vigor na França e na Áustria.
4. Telefone de contato visível
Obrigar as empresas a exibir um número de telefone em sua página inicial, para que os clientes possam resolver seus problemas sem ter que navegar por menus complicados.
5. Melhorar o estacionamento
Antecipar um código de prática e um aplicativo nacional para unificar os sistemas de pagamento de estacionamento, evitando multas injustas por falhas nos aplicativos.
6. Melhores preços em seguros
Fazer com que as seguradoras ofereçam o melhor preço antecipadamente aos clientes fiéis, em vez de penalizar quem decide não mudar de companhia a cada ano.
Uma virada para a empatia governamental
Burnham, que iniciou uma turnê pelo país para reconectar-se com os eleitores, escreveu no The Guardian: 'Cada pagamento inesperado, engano ou armadilha oculta vai minando a esperança. Por isso, desde o primeiro dia deixei claro que criar espaço para respirar é minha principal prioridade'. O governo buscará ouvir em primeira mão os problemas cotidianos das pessoas para moldar futuras políticas com um tom otimista e de mudança real.
Fontes: The Guardian (09/08/2026) e The Guardian (10/08/2026).