Um passo chave rumo à estabilidade monetária
Na quarta-feira, 12 de agosto de 2026, o partido no poder, La Libertad Avanza (liderado pelo presidente Javier Milei), conseguiu aprovar o parecer da comissão para o projeto que modifica a Carta Orgânica do Banco Central da República Argentina (BCRA, a autoridade monetária do país, equivalente ao Banco Central do Brasil). Com o apoio de partidos aliados como PRO, UCR (União Cívica Radical), Inovação Federal e Produção e Trabalho, foram reunidas 42 assinaturas no plenário das comissões de Orçamento e Finanças.
A iniciativa, um dos projetos prioritários da Casa Rosada (sede do governo argentino), ficou pronta para ser debatida no plenário da Câmara em 26 de agosto de 2026, junto com o projeto de Inocência Fiscal II.
Quais mudanças a reforma propõe?
- Objetivo único: O BCRA terá como única meta preservar o valor da moeda, eliminando os objetivos de promover o emprego e o desenvolvimento econômico com equidade social incorporados em 2012.
- Fim do financiamento ao Tesouro: Proíbe de forma explícita o financiamento direto ou indireto do setor público, eliminando os adiantamentos transitórios e a compra direta de títulos públicos, uma prática comum no passado para cobrir déficits.
- Eliminação das Letras Intransferíveis: Desaparece este instrumento de dívida utilizado historicamente pelo Estado para captar recursos sem lastro.
- Blindagem institucional: A remoção do presidente do BCRA exigirá uma causa grave e o voto de dois terços de ambas as câmaras do Congresso, garantindo sua independência.
Um debate agitado, mas frutífero
O plenário das comissões foi marcado por um intenso debate. O oficialismo convidou economistas midiáticos como Miguel Boggiano, Héctor Rubini, Ramiro Castiñeira e Aldo Abram para expor a favor do projeto.
A exposição de Boggiano gerou reações quando apontou que governos de diferentes espectros políticos usaram o BCRA para enganar sistematicamente a sociedade. Isso provocou reclamações de aliados como o PRO e o MID, bem como a retirada do bloco de oposição União pela Pátria (UxP, coalizão de esquerda e peronismo).
O deputado da UxP, Itai Hagman, criticou os convidados. No entanto, após os esclarecimentos e pedidos de desculpas dos legisladores libertários Silvana Giudici e Gabriel Bornoroni, o oficialismo conseguiu recompor o vínculo com seus aliados e garantir o parecer.