O Ministério da Saúde de Neuquén, na Argentina, registrou um aumento expressivo nas consultas por Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que já representa quase 80% das consultas pediátricas. Autoridades reforçam o chamado para que gestantes se vacinem gratuitamente e protejam seus bebês.

Na província de Neuquén, na Patagônia argentina, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) se tornou o principal vilão da temporada de vírus respiratórios. De acordo com o Ministério da Saúde local, entre 23 e 29 de agosto, foram registradas 2.920 consultas respiratórias em pediatria – o equivalente a 79,8% do total de atendimentos pediátricos (3.659). O número representa um salto de 85% em relação às três semanas anteriores.

📈 Evolução das consultas respiratórias em Neuquén

SemanaConsultas respiratórias
Há 3 semanas1.862
Semana intermediária2.421
Última semana (23-29 ago)2.920

Fonte: Ministério da Saúde de Neuquén

“O primeiro pico da temporada foi associado à influenza, mas agora o VSR é um dos de maior atividade e está centralizado nas consultas pediátricas”, explicaram as autoridades sanitárias provinciais.

O que é o VSR e por que ele preocupa?

O VSR é um vírus respiratório altamente contagioso, transmitido por secreções respiratórias (ao tossir ou espirrar) ou pelo contato com superfícies contaminadas. Embora os sintomas iniciais se assemelhem a um resfriado comum – febre, congestão nasal e tosse –, em bebês pode evoluir para quadros graves como bronquiolite ou pneumonia.

Os menores de 1 ano são o grupo de maior risco. Segundo o Boletim Epidemiológico Nacional N.º 823 (SE 33), em 2026 já foram registrados no país mais de 65.000 casos de bronquiolite e 2.267 hospitalizações por VSR, com tendência de alta desde a semana epidemiológica 13.

🚨 Sinais de alerta em bebês

Dificuldade para respirar, retração das costelas ao inspirar, chiado no peito, recusa alimentar ou prostração intensa. Diante desses sintomas, leve a criança imediatamente ao posto de saúde mais próximo.

Vacina gratuita para gestantes: a principal defesa

A principal ferramenta de prevenção é a vacina contra o VSR, que já faz parte do Calendário Nacional de Vacinação da Argentina. A dose é aplicada em gestantes entre a 32ª e a 36ª semana de gestação (dose única por gravidez), de forma gratuita e sem necessidade de pedido médico – basta apresentar o cartão de pré-natal ou certidão que comprove a idade gestacional.

O imunizante reduz significativamente o risco de bronquiolite e pneumonia nos primeiros 6 meses de vida do bebê, o período de maior vulnerabilidade. Pode ser administrado junto com as vacinas contra gripe, COVID-19 e tríplice bacteriana acelular.

Avanços regionais: nirsevimabe e estratégias integradas

Além da vacinação materna, algumas províncias estão incorporando o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal aplicado diretamente em bebês cujas mães não foram vacinadas durante a gestação. Córdoba foi a primeira província a implementar a medida, e Santa Fé e San Juan já avançam na sua incorporação.

Sociedades científicas (SAP, SAVE, SADIP, SLIPE) recomendam estratégias integradas que combinem vacina materna e nirsevimabe para garantir a proteção de todos os lactentes.

📊 Panorama nacional e regional

  • Província de Santa Fé (SE 33): 36.143 notificações de doenças respiratórias agudas graves (IRAG) em internados; 2.122 confirmados (5,9%). Predominância de Influenza A (638 casos) e VSR (569 casos).
  • Nível nacional: nas últimas 4 semanas, o VSR foi o vírus respiratório mais detectado entre hospitalizados (302 casos), superando a influenza (34 casos).
  • Dengue: a temporada 2025-2026 fechou com baixa circulação; apenas 71 casos confirmados no país, com atenção especial para Chikungunya no noroeste argentino.

Com um inverno ainda marcado pela alta circulação viral, as autoridades sanitárias reforçam a importância da vacinação e da consulta precoce. “A maioria das crianças hospitalizadas por VSR nasceu saudável, a termo e sem fatores de risco conhecidos”, alertou o Dr. Néstor Vain, especialista em neonatologia. A prevenção continua sendo a melhor estratégia para proteger os pequenos.

Com informações do Ministério da Saúde de Neuquén e do Boletim Epidemiológico Nacional da Argentina.